O diretor nacional da PSP, Luís Carrilho, disse hoje na Assembleia da República que em 2025 foram excluídos 85 candidatos a agentes, na sequência do reforço de provas psicológicas de despiste de atitudes radicais e agressivas.
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Ouvido na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, na sequência de dois requerimentos do Partido Socialista, Luís Carrilho explicou aos deputados que foram tomadas medidas adicionais no plano de formação de agentes da PSP.
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O diretor nacional da PSP adiantou que, além do reforço nos testes psicológicos que levaram à exclusão de 85 candidatos no ano passado, serão reforçadas em 2026 matérias de “prevenção da discriminação, extremismo e radicalismo, uso de redes sociais e telemóveis pessoais, passando estas a ser matérias obrigatórias”.
Para este ano, está também a ser preparada a regulamentação de um período experimental de 30 horas adicionais e obrigatórias no primeiro ano de formação nesta polícia, um “sistema de mentoria operacional e a possibilidade de exoneração no caso de deficiências éticas e comportamentos graves”.
Esta informação foi avançada a propósito do requerimento do PS, que pediu esclarecimentos sobre os casos da esquadra do Rato, em Lisboa, em que dois agentes da PSP foram acusados de tortura e violação, visando sobretudo toxicodependentes, sem-abrigo e estrangeiros.
Na acusação deduzida pelo Ministério Público a 9 de janeiro, os acusados são dois agentes da PSP, de 21 e 24 anos, detidos em 10 de julho do ano passado, suspeitos de agredirem detidos com “socos e chapadas e coronhadas na cabeça, tendo inclusivamente filmado e fotografado algumas dessas situações e as respetivas vítimas”, maioritariamente toxicodependentes, pessoas que cometeram pequenos delitos, muitos com nacionalidade estrangeira e ilegais, ou em situação de sem-abrigo.
Além do requerimento sobre os casos da esquadra do Rato, o PS pediu também a audição do diretor nacional da PSP a propósito da operação desta polícia que aconteceu na rua do Benformoso, em Lisboa, em dezembro de 2024, em que dezenas de pessoas estavam encostadas à parede, com as mãos no ar, para serem revistadas por agentes.
Luís Carrilho sublinhou hoje que nessa operação “a atuação policial foi uniforme, objetiva e fundamentada exclusivamente por critérios operacionais legais” e que “as revistas abrangeram todos os cidadãos no presente local, sem qualquer discriminação em função de origem, etnia, nacionalidade, religião ou condição social”.
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