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7 meses depois dos incêndios, pastor em Oliveira do Hospital enfrenta novo inferno com tempestade
O Notícias de Coimbra regressou ao concelho de Oliveira do Hospital para acompanhar a recuperação de quem foi afetado pelos incêndios de agosto de 2025.
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Sete meses depois, tentámos perceber como está a situação no terreno. Tudo o que se encontra nestas instalações foi destruído pelas chamas que começaram em Arganil, na zona do Piódão, a 13 de agosto, e que se espalharam por vários concelhos, incluindo Oliveira do Hospital.
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Estamos em Vila Pouca da Beira, na propriedade de Vasco Coimbra, pastor que viu os seus barracões completamente consumidos pelo fogo. Mas, segundo relata, não teve tempo para recuperar antes de ser atingido pela tempestade Christine, que também derrubou grande parte da estrutura reconstruída.
“Sim, no dia da tempestade tive o azar de voar a estrutura toda. Reconstruí novamente só a parte de cima”, explicou o pastor.
Atualmente, Vasco tem 65 ovelhas no terreno. Questionado sobre a sua entrada na profissão, respondeu:
“Sou pastor desde 2011. Já tinha guardado um rebanho antes com outro senhor. Estive na Alemanha, depois passei por uma pequena depressão e agarrei-me a isto.”
Em agosto do ano passado, o pastor conseguiu salvar os animais: “Só tive tempo de tirar os animais e o trator. Não perdi nenhum nessa altura.” Contudo, com a tempestade Christine, perdeu dois animais: “Uma morreu logo quando cá cheguei, e outra acabou por morrer dois dias depois.”
Quanto aos apoios prometidos pelo governo, Vasco refere que se candidatou, mas ainda não recebeu qualquer ajuda: “Candidatei-me aos apoios, mas até agora está atrasado. Ainda não sei quanto vou receber nem quando.”
Sobre o dia do incêndio, recorda: “Estava com um vizinho a tentar ajudar quando um senhor avisou para retirar os animais, porque o fogo já estava a chegar. Só tive tempo de salvar o essencial.”
A comunidade local também ajudou na recuperação, especialmente fornecendo palha para alimentar os animais: “Tive a ajuda do meu vizinho e de várias pessoas que vieram apoiar com palha, porque os pastos arderam todos. Foi bastante complicado.”
Apesar das perdas e do trauma, Vasco mantém a determinação: “Não, desistir nunca. É duro, mas não vou desistir.”
Sete meses depois dos incêndios, o terreno mostra sinais de recuperação, com o verde a reaparecer, mas a memória do fogo e da tempestade permanece viva: “Complicado é, mas temos que seguir em frente”, conclui o pastor.
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