Política

50 anos da Constituição Portuguesa: Deputados constituintes abandonam galerias durante discurso de André Ventura 

Notícias de Coimbra com Lusa | 1 hora atrás em 02-04-2026

Alguns deputados constituintes presentes na sessão solene comemorativa do 50.º aniversário da Constituição, entre os quais Helena Roseta e Jerónimo de Sousa, abandonaram as galerias do parlamento durante a intervenção do líder do Chega.

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No discurso durante a cerimónia, André Ventura disse que houve cidadãos que, “já com esta Constituição ou à beira desta Constituição, já após a revolução ou perto da revolução, [que] foram presos sem mandato, foram mortos em atentados das FP-25”.

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“Foram assassinados por grupos terroristas patrocinados” por “muitos desses deputados da constituinte”, acusou o líder do Chega.

 Depois de pedir desculpa pela “falta de cortesia” devida à Assembleia da República, Ventura perguntou “o que dirão as gerações futuras” quando souberem que “um parlamento amnistiou um grupo terrorista de esquerda que tinha na sua lista mortes de bebés, seres humanos, casais, às mãos da extrema-esquerda”.

“Os tais filhos e netos de Abril também sabem que também houve filhos e netos expropriados sem razão, os filhos e netos de Abril também sabem que houve pessoas assassinadas sem razão”, acrescentou.

O presidente do Chega afirmou que “pouco tempo depois do 25 de Abril havia mais presos políticos do que havia antes do 25 de Abril de 1974”.

Depois destas palavras, alguns dos constituintes convidados para a sessão levantaram-se em protesto e deixaram a sala.

Enquanto os constituintes abandonavam o seu lugar nas galerias, André Ventura comentou: “Não vale a pena sair porque a verdade continuará a ser dita da mesma forma, não é por saírem que a verdade não será dita”.

Ventura acrescentou que estes antigos deputados que assinaram a lei fundamental “nunca souberam conviver com a liberdade, só sabem conviver com a sua liberdade”.

“Nós somos os defensores da liberdade, de toda a liberdade. Da direita, da esquerda e do centro, de toda a liberdade política em Portugal”, acrescentou.

Quando Ventura terminou a sua intervenção, os constituintes regressaram à sala e os deputados do Chega protestaram, tendo sido repreendidos pelo presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, pedindo que se contivessem na gesticulação que “não dignifica este parlamento”.

A reentrada destes antigos deputados valeu uma ovação de pé das bancadas, à exceção de Chega e do CDS-PP.

José Pedro Aguiar-Branco recordou que os deputados constituintes estão na sessão “a convite da Assembleia da República” e chegou a pedir ao deputado do Chega e vice-secretário da Mesa do parlamento Filipe Melo que se calasse, o que o levou este parlamentar a deixar também o hemiciclo.

Depois do incidente, o presidente do Chega continuou o seu discurso.

“Se houve Constituição de 1976, se houve revolução de 25 de Abril de 1974, sim, foram os capitães de Abril, e sim, foram os deputados da Constituinte, mas também milhares, milhões de ex-combatentes que deram a vida por esta nação, a vida por este país, e as famílias se viram sempre abandonadas. Todos eles merecem também o nosso amor, a nossa pátria, o nosso reconhecimento”, afirmou.

O presidente do Chega sustentou também que “a Constituição não é uma bíblia sagrada”. 

“Na Constituição não está escrito como Deus criou a Terra, nem como criou Portugal. Na Constituição há o consenso de um povo e de uma comunidade, que muda, que se altera, que vive e se dinamiza, consoante as comunidades para as quais deve servir. O povo de hoje não é o mesmo povo de 25 de Abril de 1974, o parlamento de hoje não é o mesmo de 25 de Abril de 1976”, indicou.

“Nós precisamos de uma revisão constitucional. Não temos que ter uma Constituição que caminhe nem para o socialismo, nem para o ‘cheganismo’, deve caminhar para onde quer, deve caminhar pela sua liberdade, deve caminhar por aquilo e por aqueles que quer salvaguardar. Queremos uma Constituição onde todos tenham espaço e liberdade, e onde a esquerda não seja mais do que a direita, e onde não tínhamos que ter nacionalizações nem coletivizações, onde possamos ter umas Forças Armadas fortes e uma polícia com autoridade, uma Justiça independente e políticos que não usem a Justiça para seu belo prazer e para seu proveito”, salientou, admitindo que “tem riscos” mas “vai valer a pena”.

O líder do Chega referiu-se também às eleições para os órgãos externos do parlamento, voltando a considerar que “a esquerda ainda domina as instituições” e acusou estes partidos de abanarem com o “perigo para a democracia” e “ai Deus que vem aí a ditadura” se as escolhas partirem da direita.

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