Quase metade da população portuguesa com 16 ou mais anos sofre de alguma doença crónica ou problema de saúde prolongado, revela o Instituto Nacional de Estatística (INE) em dados de 2025. A percentagem situa-se nos 44,1%, um aumento de 1,8 pontos percentuais face a 2024, posicionando Portugal como o terceiro país da União Europeia com maior incidência de doenças crónicas entre os seus 27 Estados-membros.
PUBLICIDADE
Segundo os dados do INE, citados pelo CM, as mulheres são mais afetadas (47,6%) do que os homens (40,2%) e a condição é particularmente comum entre os idosos, atingindo cerca do dobro da população mais jovem. A escolaridade também influencia a prevalência: apenas 32,5% dos que concluíram o ensino superior apresentam doenças crónicas, enquanto a taxa sobe para 78,5% entre aqueles sem qualquer escolaridade e 54,5% entre quem completou o ensino básico.
PUBLICIDADE
“O acesso à literacia em saúde é maior entre quem tem mais estudos e conhece a importância de hábitos saudáveis de alimentação, exercício físico e sono adequado. Por outro lado, quem tem menos recursos económicos tende a ter cuidados de saúde insuficientes, especialmente quando o SNS não consegue responder a todas as necessidades”, explicou ao Correio da Manhã o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes.
Portugal destaca-se ainda na União Europeia por ter uma perceção menos positiva do estado de saúde: apenas 53,6% da população considera a sua saúde boa ou muito boa, valor inferior em 14,9 pontos percentuais à média da UE (68,5%) e o terceiro mais baixo entre os países analisados.
O INE indica que a esperança de vida à nascença em 2023 era de 82,5 anos (85,3 anos para mulheres e 79,5 anos para homens), mas os anos de vida saudável — livres de limitações provocadas por problemas de saúde — situavam-se em 59,6 anos no total da população, sendo mais baixos nas mulheres (58,3 anos) do que nos homens (61 anos).
Carlos Cortes sublinha: “Portugal não está bem neste indicador, mas não me surpreende. Nos últimos 10 anos aumentaram significativamente as doenças neurológicas, cardiovasculares e oncológicas, também devido a um maior número de diagnósticos. Afetam sobretudo os idosos, e Portugal é um dos países mais envelhecidos do mundo. As pessoas vivem mais tempo, mas infelizmente com mais doenças, e o SNS é vítima do seu próprio sucesso”.
Em 2024, os hospitais registaram 1,2 milhões de internamentos, ultrapassando os números de 2019, antes da pandemia. Foram realizados 8,2 milhões de atendimentos em urgências, ligeiramente abaixo de 2019, 1,3 milhões de cirurgias (+8,3% face a 2023) e 23,9 milhões de consultas externas (+4,5%). O número de partos situou-se em 84 059, ligeiramente inferior ao de 2023 (-1,2%), sendo a esmagadora maioria (99,7%) de mulheres residentes em Portugal.
O INE aponta que 39,4% dos portugueses com mais de 16 anos experienciam ansiedade, um aumento de 7,4 pontos percentuais relativamente a 2024, com 11,3% a apresentar níveis graves. As mulheres são mais afetadas (46,2%) do que os homens (31,2%).
Em 2024 registaram-se 257 mortes de crianças com menos de 1 ano, 39 a mais do que em 2023. Dos óbitos infantis, 160 ocorreram nos primeiros 28 dias de vida, correspondendo a um acréscimo de 19 mortes face ao ano anterior.
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE