Os incêndios deste verão em Espanha já queimaram 35.400 hectares de terrenos agrícolas, disse hoje o ministro da Agricultura, que realçou que os fogos continuam ativos e ainda não há um balanço dos prejuízos.
Numa audição no Senado (a câmara alta das Cortes espanholas), na qual insistiu que todos os números são provisórios, Luis Planas salientou que os fogos atingiram 25.800 hectares de terras aráveis, quase 5.500 hectares de produções de frutas e 2.180 hectares de vinhas.
Já o impacto nos olivais “parece muito limitado”, indicou.
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O ministro prometeu ajuda do Governo aos agricultores e, em relação aos fundos europeus da Política Agrícola Comum (PAC), afirmou existir a “possibilidade de continuarem a ser recebidas as ajudas dada a situação de força maior” resultante dos incêndios.
Luis Planas acrescentou que já comunicou formalmente à Comissão Europeia o impacto dos fogos na agricultura em Espanha para que, “num futuro próximo, uma vez apagados os incêndios”, seja feito um balanço de danos e se “mobilizem os meios e as respostas” pertinentes.
Espanha enfrenta desde 08 de agosto uma onda de incêndios no norte e no oeste do país já considerada a maior desde que há registos espanhóis e europeus.
Os fogos mataram quatro pessoas e já queimaram 400 mil hectares em Espanha este ano, um recorde anual no país, de acordo com os dados, ainda provisórios, do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS), que tem registos comparáveis desde 2006.
O Governo espanhol declarou na terça-feira zonas de catástrofe as áreas afetadas por 113 grandes incêndios no país nos últimos dois meses, 12 dos quais continuavam ativos na quinta-feira, indicou o balanço mais recente da Proteção Civil do país.
Quatro ministros do Governo liderado pelo socialista Pedro Sánchez foram ouvidos esta semana no Senado a pedido do Partido Popular (PP, direita) por causa dos fogos.
Depois das ministras da Defesa e do Ambiente e do ministro da Administração Interna, foi hoje ouvido o ministro da Agricultura.
Os incêndios atingiram, sobretudo, três regiões autónomas (Galiza, Castela e Leão e Extremadura) governadas pelo PP, que tem acusado o Governo de não ter mobilizado de forma expedita os meios solicitados pelos executivos regionais (a quem cabe coordenar o combate aos fogos) ou que houve demora na ativação do mecanismo europeu de proteção civil.
O Governo rejeitou as críticas e garantiu que, pelo contrário, se antecipou na ativação da ajuda nacional e europeia aos primeiros pedidos formais das regiões, permitindo, por exemplo, a chegada a Espanha de meios de 10 países.
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