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Opinião

25 de Novembro de 1975: a liberdade prometida

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LÚCIA SANTOS

Passaram 38 anos sobre o 25 de Novembro de 1975, data em que a democracia e a liberdade prometidas pelo 25 de Abril de 1974 se cumprem em Portugal.

Com o 25 de Abril de 1974 viveu-se uma alvorada de liberdade. Muitos pensaram que ela estava conseguida, mas como os factos o vieram a comprovar, o caminho até chegar a ela foi sinuoso e repleto de dificuldades.
Logo nesse dia ficou claro o que se jogava a partir daí. O futuro de Portugal pendia entre um sistema democrático de cariz ocidental e um sistema comunista de traço soviético.

Um dos últimos momentos de união entre estas duas facções, que já não militares mas políticas, foi a aparição conjunta de Mário Soares e Álvaro Cunhal na monumental celebração do 1º de Maio de 1974. Daí em diante o dia-a-dia ficou marcado por movimentações populares mais ou menos organizadas.

Um ano após o 25 de Abril de 1974 as eleições para a Assembleia Constituinte consagraram o sufrágio universal e cumpriram o que povo escolheu e que o primeiro 25 de Abril prometeu, mas o total desrespeito pela opinião livre e espontânea dos sectores radicais à esquerda era cada vez mais evidente.

Nas comemorações do 1º de Maio de 1975 os militantes do PS e do PCP entram já separados no estádio 1º de Maio e ainda nesse mês entramos num período do “terror” com prisões arbitrárias e maus tratos sobre presos que relembravam uma PIDE renascida. À esquerda e à direita do PCP eram presas, com mandato de captura em branco, imensas pessoas supostamente reaccionárias e fascistas.

Seguiu-se um Verão quente e um desenrolar de acontecimentos que culminaram no 25 de Novembro de 1975. Até esta data todos os dias eram dias marcantes.

O PCP queria um país idêntico a todos os outros onde o comunismo era poder. Colectivização dos meios de produção e ditadura do proletariado tendo em vista a construção de uma sociedade sem classes. O modelo era o conhecido e foi definido por Marx e Engels.

Mas o país deixou de suportar tanta agitação social e a 25 de Novembro de 1975 pôs fim ao poder da chamada esquerda militar. O PCP saiu derrotado e os militares voltaram aos quartéis. Tratou-se de recuperar, contra a ameaça de uma ditadura comunista, o objectivo do 25 de Abril de 1974, o estabelecimento de um Portugal democrático, plural e assente num estado de direito. Para este final muito contribuíram homens como Jaime Neves e Ramalho Eanes, heróis “mais ou menos” esquecidos da verdadeira democracia.

38 anos depois o PCP não alterou uma vírgula à sua doutrina, apenas a camuflou com um discurso menos doutrinário. A vontade é a mesma, o objectivo mantém-se, como o comprova o que chegaram a dizer após as primeiras eleições livres de 25 de Abril de 1975: “não vamos estragar com eleições o que o povo conseguiu com a revolução”.

Mas qual o objectivo de revisitar este momento da nossa história? Apenas um alerta. Temos de melhorar a qualidade da nossa democracia, repensar o que falhou nestes 38 anos. A quebra de confiança nas instituições democráticas e nos partidos do arco da governabilidade, o desespero das famílias sobrecarregadas de impostos, os jovens sem oportunidade de emprego e o aumentar da pobreza e de todas as chagas sociais que temos vindo a assistir nos últimos anos levaram a um reforço eleitoral dos que desprezam a democracia e apenas se usam dela para com ela acabar. Temos como responsabilidade moral preservar a democracia que nos foi deixada pelos heróis do 25 de Novembro de 1975 e hoje e sempre lembrar que não há democracia contra o povo.

LÚCIA SANTOS

Presidente da Juventude Popular de Coimbra

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