Beber duas a três chávenas de café por dia poderá estar associado a uma probabilidade mais baixa de desenvolver demência, sugere um novo estudo norte-americano que acompanhou mais de 130 mil pessoas ao longo de várias décadas.
A investigação, conduzida por especialistas do Mass General Brigham, analisou dados recolhidos entre 1980 e 2023. Durante esse período, os participantes responderam regularmente a questionários sobre hábitos alimentares e realizaram testes cognitivos, permitindo aos cientistas cruzar padrões de consumo com diagnósticos de demência e alterações no desempenho mental.
Os resultados apontam para uma associação relevante: quem consumia habitualmente duas a três chávenas de café com cafeína por dia apresentava um risco até 18% inferior de desenvolver demência face a quem não bebia café. No caso do chá com cafeína, a redução estimada foi de cerca de 14%. A proteção observada parece estabilizar a partir dessas quantidades, não havendo benefícios adicionais claros com consumos superiores.
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Além do risco reduzido, os consumidores moderados revelaram um declínio cognitivo ligeiramente mais lento e melhores resultados em alguns testes de memória e função executiva. Ainda assim, os investigadores sublinham que os dados não provam uma relação direta de causa e efeito.
Em declarações à NBC News, o investigador Yu Zhang alertou que os resultados devem ser interpretados com prudência. “Não estamos a aconselhar quem não bebe café a começar agora”, afirmou, acrescentando que as conclusões são, sobretudo, tranquilizadoras para quem já tem esse hábito.
Entre as possíveis explicações para a associação estão os efeitos da cafeína e dos polifenóis presentes no café e no chá. Estas substâncias poderão contribuir para reduzir a inflamação, combater o stress oxidativo e melhorar a saúde vascular e metabólica. A cafeína tem também sido associada a menor risco de diabetes tipo 2, um fator que aumenta a probabilidade de demência.
Ao fim de cerca de 37 anos de acompanhamento, aproximadamente 11 mil participantes receberam diagnóstico de demência, sendo a ligação entre consumo de café e menor risco mais evidente em pessoas com idade igual ou inferior a 75 anos.
Os autores reconhecem, contudo, várias limitações, como a ausência de distinção entre tipos de chá, métodos de preparação do café ou adição de açúcar e leite. Em declarações ao The Guardian, Zhang reforçou que a demência é uma doença complexa e que nenhuma bebida, por si só, substitui hábitos de vida saudáveis.
Exercício físico regular, alimentação equilibrada e sono adequado continuam a ser apontados como pilares fundamentais para preservar a saúde do cérebro ao longo da vida.