O terreno da Infraestruturas de Portugal (IP) junto à Estação Nova de Coimbra deve passar para a Câmara Municipal com o objetivo de criar habitação “a custos acessíveis”, afirmou hoje a presidente da autarquia.
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“As Infraestruturas de Portugal [IP] já instruíram o processo e a Estamo [empresa que gere património do Estado] já está capacitada para o avaliar”, disse o ministro das Infraestruturas e Habitação, Miguel Pinto Luz, que falava durante a inauguração da circulação do ‘metrobus’ até Coimbra-B e Praça da República, operação que começou na quinta-feira.
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Segundo o responsável da tutela, o terreno situado junto à antiga linha ferroviária entre Coimbra-B e a Estação Nova que foi desativada para dar lugar ao ‘metrobus’ poderá ter um “desenvolvimento”, de forma a garantir que o investimento em transportes tem “esta capilaridade mais fina de transformar o território urbano”.
“Este terreno vai ser palco dessa transformação”, salientou o ministro, que discursava junto à agora desativada Estação Nova.
Miguel Pinto Luz disse que os terrenos associados à antiga linha ferroviária da Lousã que passam em Coimbra também deverão ir para a esfera municipal.
Em declarações aos jornalistas, a presidente da Câmara de Coimbra, Ana Abrunhosa, afirmou que o objetivo do processo desencadeado pelo Governo passa por entregar o terreno junto à Estação Nova ao município para ser feita uma “unidade de execução”.
De acordo com a autarca, haverá um “grande foco para a habitação”, nomeadamente “habitação a custos acessíveis”, mas também com uma percentagem dedicada a serviços, para que possa “haver supermercados, espaços de cultura e cafés”.
Durante a cerimónia, Miguel Pinto Luz reafirmou a vontade de replicar o sistema de autocarros a circular em via dedicada noutras cidades que serão servidas pela futura linha de alta velocidade.
Sobre esse concurso, no troço entre Oiã e Soure, o ministro afirmou que a consignação estará para breve e, abordando os investimentos na região, afirmou que a IP deverá consignar também no espaço de dias ou semanas o concurso do estudo para a conclusão da A13, seja no nó de ligação ao IP3, a norte, seja a sul, na zona de Almeirim.
Com três autocarros reservados para uma viagem simbólica de ‘metrobus’ até Coimbra-B, a cerimónia acabou por ser encurtada com um protesto convocado pela União dos Sindicatos de Coimbra e do Movimento de Utentes dos Serviços Públicos (MUSP), que receberam, com apupos, políticos e convidados na chegada à estação ferroviária.
Cerca de 30 pessoas gritaram contra o preço do passe intermodal, a ausência de gratuitidade na ligação entre Coimbra-B e a Estação Nova, assim como contra a possibilidade de privatização dos Serviços Municipalizados dos Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC).
“Os trabalhadores da Baixa sofrem”, disse um jovem que procurava interpelar o ministro, que se apressou a descerrar a placa comemorativa, em Coimbra-B, junto de Ana Abrunhosa.
“Já teve o seu momento Tiktok”, respondeu a autarca ao protestante, ouvindo-se: “A presidente de Câmara é que gosta de Tiktok”.
“É caro, é caro, o passe intermodal”, gritaram os manifestantes, criticando também os “horários desajustados” do ‘metrobus’ com os restantes meios de transportes.
No seu discurso na cerimónia, Ana Abrunhosa reconheceu que a última semana “foi muito difícil para muita gente” em Coimbra, face às mudanças de linhas de autocarros e alterações de circulação no centro da cidade.
“Preocupações merecem resposta e não merecem um encolher de ombros”, disse, vincando que o município vai acompanhar todas as mudanças e “corrigir aquilo que não estiver a funcionar”.
Para a autarca, as mudanças recentes não são “sobre transportes, mas sobre que cidade” Coimbra quer e que incentivos cria para a transformar.
“Rua onde se caminha não é um capricho estético”, vincou.
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