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Tecelagem: Amélia mantém viva uma tradição que passa de geração em geração

Notícias de Coimbra | 4 semanas atrás em 12-08-2026

Amélia, do ateliê O Tear, em Miranda do Corvo, dedica-se à tecelagem há 48 anos e continua a transformar fios e tecidos em peças únicas, mantendo viva uma tradição que aprendeu com a mãe.

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Na Feira de Artesanato e Gastronomia da Pampilhosa da Serra, o Notícias de Coimbra encontrou Amélia, tecedeira há 48 anos e rosto do ateliê O Tear, de Miranda do Corvo.

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“Foi a minha mãe” quem lhe ensinou esta arte, recorda Amélia, que começou a aprender ainda criança. Apesar de quase cinco décadas dedicadas à tecelagem, garante que continua a aprender: “Vamos aprendendo sempre”.

A primeira peça de que se lembra foram umas passadeiras. “Custaram-me bastante”, confessa, recordando que, durante a aprendizagem, chegou mesmo a chorar por as coisas não estarem a correr como queria. Hoje, essas dificuldades fazem parte das memórias de uma vida dedicada ao tear.

Amélia trabalha sobretudo com a tradicional tecelagem de Almalaguês, criando peças que vão muito além dos tradicionais panos. Na banca encontram-se saquinhos para o pão, panos de mesa, individuais, caixas, porta-moedas e estojos, entre muitos outros artigos.

“A nossa tecelagem dura muitos anos”, destaca, sublinhando a resistência e a qualidade das peças.

Entre os trabalhos mais originais está uma representação da Torre da Universidade de Coimbra, cuja execução demora cerca de dois dias. “Um trabalho deste demora pelo menos dois dias a ser feito”, explica.

A criatividade também levou Amélia a adaptar a tecelagem a objetos do quotidiano. É o caso dos brincos, porta-chaves e pulseiras feitos com tecido produzido no tear.

Outra das novidades são os quadros dedicados aos santos populares, nomeadamente São Pedro, São João e Santo António.

Mas a tradição não significa ficar presa ao passado. Amélia procura novas formas de levar a tecelagem a diferentes públicos, criando aplicações para t-shirts e chapéus com sobras dos tecidos. “Eu faço aplicações nas t-shirts também”, explica.

O trabalho artesanal de Amélia pode, assim, ser encontrado tanto em peças tradicionais como em acessórios e objetos contemporâneos, numa combinação entre memória e criatividade.

A ligação à Feira de Artesanato e Gastronomia da Pampilhosa da Serra já é longa. “Para aí talvez 15 anos”, estima a artesã, que participa no evento há cerca de década e meia.

A edição do ano passado ficou, contudo, marcada pelos incêndios, que obrigaram os expositores a abandonar o local. Este ano, Amélia prefere não criar grandes expectativas.

“Eu não ponho expectativas, é preferível não pôr”, afirma, apontando também para o aumento dos custos, nomeadamente dos combustíveis.

Ainda assim, a presença na feira representa mais uma oportunidade para mostrar um trabalho que atravessa gerações e que continua a encontrar novas formas de se reinventar.

Aos 48 anos de profissão, Amélia mantém-se fiel ao tear que aprendeu a conhecer com a mãe, mas prova que uma arte tradicional pode continuar atual, original e presente no quotidiano.

“É preciso ter muita originalidade”, resume.

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