Em Mortágua, há uma pergunta que continua a ecoar através dos séculos e que faz parte do património oral da região: «Quem matou o juiz?». A resposta, envolta em lenda e tradição popular, remete para uma história que mistura justiça, revolta e identidade local.
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Segundo a narrativa transmitida de geração em geração, um Juiz de Fora foi enviado para Mortágua com a missão de administrar a justiça em nome da Coroa. No entanto, os seus alegados abusos de poder terão rapidamente gerado descontentamento entre a população, alimentando um clima de crescente tensão.
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A situação atingiu o ponto de rutura quando, ao som do sino a rebate, os habitantes se mobilizaram contra o magistrado. Conta a lenda que o juiz foi capturado e expulso para fora dos limites do concelho, possivelmente para além do Rio Criz, onde acabou por ser morto com alfaias agrícolas.
Perante a morte do representante régio, o rei terá ordenado uma investigação para identificar os responsáveis. Porém, sempre que os enviados da Coroa interrogavam os moradores, recebiam a mesma resposta: «Foi Mortágua». A expressão acabou por ganhar notoriedade e perpetuou-se na memória coletiva como símbolo da união da comunidade perante o poder externo.
Ainda hoje, a pergunta «Quem matou o juiz?» é associada ao concelho e surge frequentemente em tom de brincadeira ou provocação. Apesar do caráter lendário da história, esta continua a ser uma das narrativas mais conhecidas de Mortágua, preservando um episódio que faz parte da identidade cultural e do imaginário popular da região.
Entre a história e a tradição, a lenda do Juiz de Fora permanece viva, recordando um dos episódios mais singulares da memória coletiva mortaguense.
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