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Projeto social leva idosos a praticar ‘kickboxing, ‘bodyboard’ e ‘breakdance’

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‘Kickboxing’, ‘breakdance’ e ‘bodyboard’ são algumas das atividades que o projeto social ‘Reformers’, sediado no Porto, fomentou desde 2017 para 156 seniores da Área Metropolitana do Porto, para combater o isolamento social, revelou hoje à Lusa a responsável.

A associação ‘Transformers’ existe há 12 anos, no Porto, com trabalho virado para os jovens, e este ano criou um projeto para a terceira idade a que chamou de ‘Reformers’ e que decorreu nos concelhos de Valongo, Vila Nova de Gaia, Espinho, Póvoa de Varzim e no Porto.

Em curso desde 2017, só em 2022 foi batizado para poder alargar o horizonte do projeto e todas as semanas decorrem atividades com um grupo de idosas sinalizadas pela Junta de Freguesia de Paranhos como sendo pessoas isoladas.

Nas instalações de Paranhos da associação onde um grupo de idosas selecionava roupa, Dorinda, de 81 anos, brincou: “isto aqui parece a casa de retalhos”, apontando ao monte de roupas velhas que, por não se encontrarem em estado para serem vendidas ou doadas, vão ser transformadas em cuecas.

“Há umas aulas, estávamos a falar de costura e uma das avós mencionou que, quando era pequenina, fazia roupa interior – cuecas, maioritariamente – para ela e para as colegas que viviam com ela”, explicou à Lusa a gestora do projeto ‘Reformers’, Gabriela Araújo, revelando ter, assim, nascido uma ideia para uma atividade: “como ela era muito boa a costura, nós dissemos-lhe logo ‘ó avó Dorinda, e se nos explicasse como é que fazia essa roupa interior?”.

A atividade desta semana não parece ir além da seleção das roupas que vão usar para costurar cuecas, já que as idosas se mostram reticentes em “estragar” roupa por considerarem servir para doar, e se perdem em conversas sobre como foi a sua semana.

“Elas vão lá também para conversar (…) e, entretanto, já vão tomar café umas com as outras, já vão passear. E no fundo é isso que queremos: o sentimento de pertença e de fazer amigas”, partilhou Gabriela.

Engane-se, todavia, quem pensa que as atividades são sempre sentadas, relatando a gestora que noutras alturas já tiveram aulas de ‘kickboxing’, ‘breakdance’, ‘bodyboard’ e até ‘workshops’ de moda.

A ideia de começarem a atuar junto a idosos começou quando, há uns anos, se aperceberam de que havia uma grande parte da população, nomeadamente a idosa, que “queria aprender e fazer coisas” e que não havia resposta para tal.

“Os idosos queriam mais do que uma aula de hidroginástica, ou ver novelas, ou ir ao passeio da sua junta de freguesia”, contou a responsável.

Seguindo o princípio de que “não há idade para aprender”, o projeto quer combater o isolamento social e o idadismo [atitude preconceituosa e discriminatória com base na idade] através da promoção de atividades junto destes idosos, contabilizando 227 aulas e ‘workshops’ baseados tanto em atividades que não são “expectáveis” para esta população.

Apesar de serem aulas de grupo, o projeto também ensinou Emília, de 84 anos, e está agora a ensinar Luísa, de 77 anos, a concretizar o seu sonho de aprender a andar de bicicleta, revelou a gestora.

A ideia, acrescentou, é “quebrar barreiras” e “impulsionar e empoderar as pessoas que se envolvem”, mas que nem sempre se mostram ativas.

“À grande maioria [dos idosos], perguntas o que querem aprender e eles não conseguem dizer o que gostam. Isto porque as pessoas trabalham a vida inteira e entram na reforma e de repente aquilo que as definia – que era o trabalho – deixa de existir e a única resposta que recebem é ‘agora és um sénior’. E é tramado. (…) Nem toda a gente tem a capacidade de se questionar do que é que gosta sequer. Porque não teve tempo, nem dinheiro, nem disponibilidade durante a vida para pensar nisso”, lamentou a gestora.

Sempre presente nas atividades dos ‘Transformers’, o ‘payback’, [retribuição] está também presente no projeto ´Reformers’ o que proporcionou aos seniores a possibilidade de “limpar uma praia e fazer uns sabonetes para uma minicampanha de sensibilização para os cuidados higiénicos no combate à covid-19”, contou Gabriela Araújo.

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