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Pescador estava perdido no mar e fez uma promessa. Depois, a 35 quilómetros de Coimbra, apareceu uma estrela e hoje há uma capela no alto da serra

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 4 semanas atrás em 16-09-2026

No alto da serra de Poio, em Pombal, há uma capela construída numa gruta natural. A tradição popular conta que nasceu de uma promessa feita por um pescador durante um temporal.

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Há lugares onde a paisagem já seria suficiente para contar uma história. No alto da serra de Poio, na freguesia de Redinha, concelho de Pombal, uma pequena capela encaixada numa formação rochosa acrescenta-lhe uma lenda com mar, tempestade, fé e uma estrela.

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É a Capela de Nossa Senhora da Estrela, um dos lugares associados ao património religioso da Redinha. Segundo a tradição popular, a origem do templo está ligada a um pescador que terá ficado perdido no mar durante vários dias.

A história é contada pela própria Freguesia de Redinha, que explica que, “outrora, em tempos em que estas paragens eram navegáveis”, um pescador saiu para o mar. Entretanto, surgiu um temporal e a embarcação ficou à deriva durante vários dias.

Sem saber como regressar a terra, o pescador terá feito uma promessa. “Se chegasse a terra são e salvo”, construiria, no local onde conseguisse atracar, uma capela dedicada a Nossa Senhora, segundo a mesma tradição.

E é aqui que entra a estrela que deu nome ao templo.

De acordo com a lenda, uma estrela apareceu no céu e guiou o pescador até terra. Depois de conseguir chegar em segurança, terá cumprido a promessa e construído uma capela. “Daí o nome da Capela de Nossa Senhora da Estrela”, explica a Freguesia de Redinha.

A mesma história está registada no Lendarium, que identifica como fonte bibliográfica o livro Passinhos de Nossa Senhora — Lendário Mariano, de Fernanda Frazão, publicado em 2006. O registo confirma a versão do pescador surpreendido pelo temporal, da promessa e da estrela que o terá conduzido até terra.

A lenda ganha ainda mais força visual quando se chega ao local. A Capela de Nossa Senhora da Estrela encontra-se encaixada numa gruta natural, na serra de Poio, perto de Poios, no concelho de Pombal.

O templo é descrito como uma capela rústica cujo altar assenta numa lapa natural e onde se encontra uma imagem de pedra da Virgem. A capela foi reedificada em 1670, segundo a informação disponível sobre o monumento.

Há registos que apontam para uma construção inicial anterior, possivelmente no século XV. Uma descrição da rota do Planalto de Sicó refere que, na primeira construção, a capela poderá ter ficado totalmente debaixo da gruta, tendo sido posteriormente ampliada.

O lugar está também associado a uma tradição religiosa antiga. Segundo a mesma fonte, a zona foi ponto de passagem de peregrinações nos séculos XVI e XVII e mantém uma romaria anual em maio.

A lenda não é apresentada pelas fontes como um acontecimento histórico comprovado, mas como uma narrativa transmitida pela população da Redinha.

O Lendarium classifica a narrativa como uma tradição recolhida na Redinha e situa-a no século XX, remetendo para a obra de Fernanda Frazão.

Também o Arquivo Digital Binaural Nodar recolheu, em Poios, testemunhos relacionados com a capela. Num registo realizado em 2021, Manuel Fernandes, da Comissão da Fábrica da Igreja da Paróquia da Redinha, conta uma outra tradição associada ao local: a de que um antepassado terá sobrevivido no alto-mar depois de avistar a capela no alto da serra.

Entre a paisagem calcária, a gruta e a vista sobre a região, a Capela de Nossa Senhora da Estrela acabou assim por ficar ligada a uma história que atravessa gerações: um pescador perdido, uma promessa feita em desespero e uma estrela que, segundo a tradição, lhe mostrou o caminho de regresso a terra.

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