O presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, José Francisco Rolo, voltou a colocar a conclusão do IC6 no centro das preocupações do concelho, defendendo que a região “não está a pedir nenhuma autoestrada”, mas apenas o cumprimento de um compromisso assumido há três décadas.
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As declarações foram proferidas esta sexta-feira, 4 de setembro, durante o lançamento da primeira pedra de uma nova unidade empresarial na Zona Industrial de Oliveira do Hospital, um investimento de 1,5 milhões de euros destinado à produção de estruturas metálicas e casas modulares.
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O autarca começou por destacar o investimento privado no concelho, considerando que é uma demonstração da confiança dos empresários no território.
“Assinalar pela positiva empresários que acreditam e que investem”, afirmou José Francisco Rolo, sublinhando que a nova unidade pretende produzir soluções habitacionais de baixo custo, direcionadas para o mercado nacional e, numa segunda fase, também para o mercado externo.
Mas foi a questão das acessibilidades que dominou o discurso. Para o presidente da Câmara, Oliveira do Hospital reúne condições para captar investimento, desde empresários e recursos humanos qualificados até áreas empresariais infraestruturadas, mas continua limitada pela falta de uma ligação rodoviária adequada.
“Temos empresários, temos gente com vontade de investir, temos uma tradição industrial de Oliveira do Hospital, temos recursos humanos qualificados, temos áreas de acolhimento empresarial devidamente infraestruturadas e com todas as condições para acolher investimentos”, afirmou.
“Urge resolver o problema da acessibilidade de Oliveira do Hospital à região”, acrescentou.
José Francisco Rolo voltou a exigir a conclusão do IC6 e a construção do nó previsto junto à zona industrial de Oliveira do Hospital.
“Urge concluir a ligação ao IC6 com o nó previsto aqui na zona industrial da Oliveira do Hospital”, defendeu.
O autarca deixou claro que não está a reivindicar uma autoestrada nem a eliminação de portagens.
“Oliveira do Hospital e esta região não está a pedir nenhuma autoestrada. Esta região não está a pedir a supressão das portagens. Não estamos a pedir nenhuma travessia de nenhum rio, nenhuma megaponte”, afirmou.
“Estamos a pedir a conclusão do itinerário complementar que está parado no meio de uma mata”, acrescentou, defendendo uma ligação entre Tábua, Oliveira do Hospital e Seia.
Para o autarca, trata-se de uma questão de justiça para uma região que continua a atrair empresas e a criar emprego.
“Aquilo que estamos a pedir, com toda a justiça, é dar mais um incentivo, o tal motor auxiliar destes homens e mulheres que investem, dos cidadãos que aqui desenvolvem os seus projetos de vida”, afirmou.
O presidente da Câmara criticou ainda o facto de a região continuar dependente da EN17, que considera desadequada face ao desenvolvimento económico e empresarial do território.
“É substituir uma estrada que é nacional, Estrada Nacional 17, por um itinerário complementar, ou seja, uma estrada alinhada com os padrões de circulação, de segurança rodoviária, de proximidade”, explicou.
José Francisco Rolo foi particularmente contundente ao comparar a modernização da economia local com o estado das acessibilidades.
“A economia moderniza-se, os empresários criam riqueza, postos de trabalho, valor acrescentado, fixamos pessoas e continuamos com a velhinha estrada real, hoje designada a Estrada Nacional 17”, criticou.
“É fazer justiça com esta região e com estas pessoas”, acrescentou.
O autarca destacou ainda os investimentos realizados na Zona Industrial de Oliveira do Hospital, apontando para a criação de 27 novos lotes e para uma aposta significativa na modernização da área empresarial.
“Aqui nesta zona industrial foram criados 27 novos lotes, 2 milhões de euros de infraestruturação desta ampliação da zona industrial, mais 7 milhões e meio de euros de investimento do PRR”, revelou.
Entre os projetos previstos estão uma comunidade de energia renovável com parque fotovoltaico, cobertura 5G da área industrial, um sistema de abastecimento de hidrogénio, postos de carregamento elétrico e um sistema de monitorização e deteção precoce de incêndios.
Segundo José Francisco Rolo, há ainda novos investimentos em preparação. “Hoje é esta, até ao final do ano será outra”, afirmou, adiantando que deverá ser lançada uma nova hasta pública para atribuição de lotes.
O autarca revelou também que recentemente esteve em Oliveira do Hospital uma delegação de empresários alemães interessada no território.
“Há gente a querer investir aqui em Oliveira do Hospital, aqui em Portugal, aqui nesta parte de Portugal”, afirmou.
Questionado sobre a frustração perante as sucessivas promessas relativas ao IC6, José Francisco Rolo recusou falar em “revolta”, preferindo classificar a reivindicação como uma questão de justiça.
“Eu não queria usar a expressão revolta, eu sou uma pessoa de diálogo, sou uma pessoa de colaboração, sou uma pessoa para estabelecer pontes”, afirmou.
Ainda assim, deixou uma mensagem direta às entidades responsáveis: “Apenas peço que se faça justiça.”
O presidente da Câmara considera incompreensível que uma região que continua a investir e a criar emprego permaneça sem uma ligação rodoviária que considera essencial.
“Há um IC6 parado no meio de um pinhal, no meio de uma mata”, lamentou, considerando existir “uma irracionalidade tal” perante o esforço de empresários e instituições locais para desenvolver o território.
O autarca recordou que a reivindicação pelo IC6 surge repetidamente nos principais momentos públicos do concelho, desde o feriado municipal aos discursos do 25 de Abril, passando pela ExpoH e pela Feira do Queijo Serra da Estrela.
“Vamos sempre à mesma questão, que é, precisamos de uma acessibilidade essencial, moderna, a esta região”, afirmou.
E deixou um apelo final: “Cumpra-se, abra-se o concurso.”
José Francisco Rolo garantiu ainda que o município está disponível para colaborar com as entidades responsáveis para acelerar o processo.
“Estamos aqui disponíveis para dialogar e cooperar para fazer avançar o processo”, concluiu, reforçando que a reivindicação pretende ser “um gesto de justiça para quem aqui vive, aqui desenvolve os seus projetos de vida, aqui estuda, aqui investe e aqui cria riqueza e mantém, sustenta postos de trabalho”.
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