A Ordem dos Médicos manifestou forte discordância em relação à recente decisão do INFARMED que altera o modelo de prescrição dos sensores de monitorização contínua da glicose, passando a permitir a prescrição por descrição genérica.
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Num comunicado, a Ordem considera que a medida representa um risco para a segurança dos doentes com diabetes, defendendo que estes dispositivos não podem ser tratados como medicamentos genéricos, uma vez que apresentam diferenças significativas entre marcas e modelos.
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Segundo a entidade, os sensores variam em aspetos como precisão, sistemas de alarme, necessidade de calibração, integração com aplicações digitais e adaptação ao perfil do doente, fatores que podem influenciar decisões clínicas diárias, nomeadamente na administração de insulina e no controlo da glicemia.
A Ordem dos Médicos alerta que a substituição destes dispositivos não é comparável à troca de medicamentos equivalentes, sublinhando que pode ter impacto direto no tratamento e na segurança dos doentes.
O presidente do Colégio de Endocrinologia e Nutrição, Manuel Carlos Lemos, refere que a decisão “trata sensores de glicose como se fossem todos iguais, quando na prática têm diferenças importantes que podem influenciar decisões clínicas críticas”.
Também o bastonário da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, defende que a eficiência no SNS não pode comprometer a qualidade dos cuidados. “A gestão eficiente dos recursos é essencial, mas não pode ser feita através de decisões cegas”, afirmou.
A Ordem dos Médicos pede a revogação da medida e a abertura de um processo de diálogo com sociedades científicas, profissionais de saúde e associações de doentes, defendendo uma avaliação técnica mais aprofundada.
A entidade reforça ainda que a inovação tecnológica na área da diabetes deve sempre garantir segurança clínica, personalização do tratamento e proteção da autonomia dos doentes.
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