O Sexo e a Cidade
OPERAÇÃO “BARRIL FRESCO”: FLOR DOS JARDINS DA AAC ESTÁ SUSPENSO DAS SUAS ATIVIDADES “ILEGAIS”
Numa altura em que o país anda entretido com incêndios, polémicas nos exames, pedidos de demissão de ministros, gabinetes vandalizados e até montanhas de lixo em Coimbra… eis que surge mais um drama nacional. Não, não estamos a falar de uma comissão parlamentar de inquérito. Estamos a falar de um processo disciplinar na Associação Académica de Coimbra. Porque o mundo estudantil também merece o seu momento de glória.
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Segundo avança a TV AAC, o Conselho Disciplinar considerou Francisco Flor, presidente da Mesa da Assembleia Magna da AAC, culpado nas acusações que lhe eram imputadas e aplicou-lhe a sanção prevista no artigo 121.º dos Estatutos da associação, suspendendo “a capacidade eleitoral ativa e passiva em todas as eleições e órgãos deliberativos pelo período de quatro anos”.
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Quatro anos. Quase parece uma pena saída diretamente do Tribunal da Relação. Aliás, por momentos até ficámos na dúvida: isto foi decidido num órgão disciplinar da AAC ou houve recurso para o Supremo Tribunal de Justiça? Falta apenas alguém entrar na sala e anunciar: “Levante-se que a audiência vai começar.”
A mesma notícia refere que “Francisco Flor foi julgado pelo incumprimento de 10 artigos dos Estatutos da AAC. Entre eles, o Conselho Disciplinar aponta a falta de capacidade em garantir o funcionamento normal do processo eleitoral, a suspeita de interferências externas e divergências com os interesses da Associação Académica de Coimbra.”
Agora, convenhamos. “Interferências externas” soa logo a filme de espionagem. Dá vontade de imaginar agentes secretos infiltrados na Academia, escutas telefónicas, reuniões clandestinas e documentos classificados. Ou, sendo Coimbra, alguém a prometer um barril de cerveja para conquistar simpatias e bilhetes para festas académicas. Porque sejamos honestos: se lhe aparecessem à frente com um barril bem fresco e lhe dissessem “é pela Academia”, quem nunca hesitou por menos?
E depois há a parte das “divergências com os interesses da Associação Académica”. Uma formulação tão séria que quase esperamos ver o caso discutido na CNN Portugal entre um constitucionalista e um antigo juiz-conselheiro ou um juíz-jubilado da Academia.
Perante tudo isto, Francisco Flor já anunciou que vai recorrer da decisão. E faz muito bem. Afinal, qualquer grande processo precisa sempre de mais um capítulo. Agora resta perceber se o recurso segue para outro órgão disciplinar… ou se, por este andar, ainda acaba no imaginário Tribunal da Relação da Praxe.
Até lá, Coimbra continua igual a si própria: entre capas negras, serenatas e cervejas, nunca falta um enredo digno de uma novela académica.
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