Há coisas que parecem não combinar. Uma praia sem água, uma sardinhada sem sardinhas e uma Feira das Cebolas com quase nenhum ceboleiro.
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Em Coimbra, a tradição decidiu testar os limites da lógica: na 39.ª edição do evento, são apenas três os vendedores de cebolas na Praça do Comércio. E já foram 35.
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Quem assistiu a essa transformação é Ramiro Barradas, presença habitual na feira há 39 anos e, atualmente, o ceboleiro mais antigo do certame. Se há alguém que pode dizer que viu a cebola passar de protagonista a quase figurante, é ele.
Hoje, a Feira das Cebolas está instalada na Praça do Comércio e mantém-se até 22 de agosto. Há visitantes, bancas, movimento e, claro, cebolas. Só não há é muitos ceboleiros.
Ramiro recorda uma Coimbra bem diferente. Na altura, o espaço onde hoje há restaurantes e comércio ficava praticamente “recheado” pela produção. Eram dezenas de vendedores e centenas de restias de cebola. “Isto era tudo cheio de cebola e toda a gente vendia”, lembra.
Agora, para encontrar todos os ceboleiros da feira, não é preciso andar muito. São três. Dois são da região e um veio de fora.
A diferença é tão grande que quase parece que a feira ficou com a cebola, mas perdeu quem a trazia.
E nem a própria produção ajudou este ano. A chuva dos primeiros meses atrasou a cebola e reduziu a quantidade disponível. Ainda assim, Ramiro levou 50 restias para a feira, e não duraram muito.
Ou seja, ceboleiros há poucos, mas clientes até continuam a existir.
E talvez seja essa a parte mais curiosa desta história. Apesar de a feira ter perdido grande parte dos vendedores que lhe deram nome, a cebola continua a sair das bancas com uma velocidade que faria inveja a muitos produtos de supermercado.
A questão agora é saber durante quanto tempo será possível manter uma Feira das Cebolas com tão poucos ceboleiros.
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