Portugal

O que aconteceu a Carolina? Tragédia na Figueira da Foz continua por desvendar

Notícias de Coimbra | 1 mês atrás em 08-05-2026

Carolina Torres, de 18 anos, foi encontrada morta numa praia da Figueira da Foz, mais de um mês depois de ter desaparecido.

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O corpo da jovem foi localizado a 16 de novembro na praia da Leirosa. A identidade só foi confirmada duas semanas depois, devido ao avançado estado de decomposição e, até agora, a família ainda não recebeu o relatório da autópsia.

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A jovem tinha desaparecido a 9 de outubro. Nos dias seguintes, os pais realizaram vários apelos nas redes sociais na tentativa de obter informações sobre o seu paradeiro. Carolina era filha de um militar da Marinha e de uma enfermeira.

“Era uma excelente aluna, sempre teve facilidade em fazer amigos”, referiu a mãe em declarações à SIC.

Os pais separaram-se quando Carolina tinha 10 anos, período que, segundo o pai, marcou o início de algumas alterações no comportamento da jovem. “Estava a ser extremamente difícil lidar. Desde os 11 anos já tinha tido dois episódios relativamente complicados para a idade dela”, afirmou.

Após o divórcio, Carolina e a irmã mais nova ficaram a viver com a mãe, enquanto o pai foi trabalhar para o estrangeiro. Segundo a mãe, a jovem manteve inicialmente o desempenho escolar e a vida social, mas com o tempo surgiram comportamentos de maior instabilidade.

Aos 14 anos, o silêncio da jovem terá começado a preocupar a mãe, que a levou a acompanhamento psicológico.

Segundo a reportagem da SIC, em 2023, já com o pai de regresso a Portugal, Carolina decidiu passar a viver com ele. No entanto, os conflitos familiares intensificaram-se e a jovem chegou a apresentar queixa por alegada violência doméstica contra o progenitor.

“Eu até estava proibido de contactá-la, pelo facto de ter sido posto um processo de violência doméstica”, referiu o pai, acrescentando que, em momentos de tensão, terá existido um confronto entre ambos. “A Carolina mordeu-me, deu-me pontapés, atacou-me. Tentei agarrá-la e disse-lhe: não queres cá estar, volta para casa da tua mãe”, relatou, referindo ainda que a avó da jovem terá assistido à situação.

A queixa acabou por ser retirada e Carolina regressou à casa paterna, tendo sido sugerido acompanhamento psicológico e medicação. Foi entretanto diagnosticada com ansiedade generalizada e perturbação da personalidade borderline.

Segundo a família, a jovem não terá seguido corretamente a medicação, sendo referido que consumia também substâncias em simultâneo como álcool, o que não é aconselhado nestes casos.

“A Carolina não sabia lidar com o não”, afirmou o pai. “Tinha 18 anos e fazia o que queria”, acrescentou.

As discussões com o pai tornaram-se mais frequentes e, em julho de 2025, Carolina saiu de casa e foi viver na rua. Mais tarde, terá se reaproximado da mãe, que a convenceu a regressar a casa, embora por pouco tempo.

A última vez que falou com a mãe foi a 9 de outubro, durante a hora de almoço. Na madrugada de 10 para 11 de outubro, o telemóvel da jovem desligou-se e a partir desse momento, deixou de haver qualquer contacto.

A família contactou a linha de desaparecidos e apresentou queixa na Polícia Judiciária no dia seguinte. Foi possível apurar que Carolina terá apanhado um autocarro da Escola António Arroio para a Praça São João Baptista, em Almada, onde pernoitava, tendo ainda marcado um encontro com um amigo na estação Gil Vicente.

A mala da jovem foi encontrada cerca de um mês depois num local onde, segundo a família, não tinha estado anteriormente, o que aumentou as dúvidas sobre o percurso efetuado.

Os pais têm criticado o trabalho de investigação. “Se a Judiciária fosse buscar as imagens agora teria respostas, mas não temos”, referem.

O corpo viria a ser encontrado cerca de um mês e uma semana após o desaparecimento, na praia da Leirosa. As autoridades apontaram a possibilidade de suicídio, cenário que a família contesta.

“Mas há aqui coisa muito estranha que não aponta para suicídio. Agora a gente não consegue descansar”, disse a mãe.

O funeral realizou-se a 7 de dezembro, três semanas depois da localização do corpo. O Ministério Público não autorizou a cremação e a Polícia Judiciária mantém o processo de investigação em curso.

O caso continua sob investigação e, segundo a família, persistem dúvidas quanto às circunstâncias da morte, não sendo afastada a hipótese de intervenção de terceiros.

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