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Desporto

O Benfica acompanhou o “maior” na sua última casa

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Aos gritos de “deixem passar o maior de Portugal” foi hoje a sepultar Eusébio, num momento em que milhares de pessoas se juntaram no cemitério do Lumiar, em Lisboa, para uma emocionada última despedida ao “Rei”.

Às 15:45, ainda o corpo do “Pantera Negra” não tinha chegado à Igreja do Seminário, no Largo da Luz, já dezenas de adeptos esperavam junto do local onde Eusébio iria a sepultar.

A terra revolta, transformada em lama profunda pela chuva quase ininterrupta, e umas placas de zinco assinalavam a última morada do “Rei”, ao lado de campas simples, literalmente apanhadas de assalto pelo caos.

A espera, feita em silêncio, debaixo de guarda-chuvas, fez-se longa. Os cachecóis escondidos sob os impermeáveis não deixavam margem para dúvidas: Eusébio não era apenas uma figura do Benfica, era um símbolo nacional.

Aos benfiquistas uniram-se os rivais da 2.ª Circular ou os “vizinhos” azuis do Restelo, não faltando também os cachecóis com a bandeira nacional – primou pela ausência o FC Porto, que não se fez representar pelas suas maiores figuras nem pelas suas cores.

Uma hora depois, a chuva intensificou-se, molhando impiedosamente a multidão que se aglomerava em redor do escasso cordão policial que tentava impor a ordem e as distâncias e que misturava rostos anónimos com caras conhecidas, como o ex-futebolista Rui Bento e o candidato à presidência do Sporting Carlos Severino.

Ainda a missa de corpo presente ia a meio e no cemitério do Lumiar já se elogiava a paciência infinita para aguardar pelo “King”, a estoicismo perante as condições adversas.

“Vim por uma boa causa. Sempre gostei dele, conheci-o pessoalmente e era ótima pessoa. Fosse o funeral aqui ou mais longe, no Porto ou em Coimbra, e eu viria”, assegurou à Lusa Aurélio Lopes, um dos primeiros a chegar ao cemitério.

Numa dança de guarda-chuvas, na qual estes se abriam e se fechavam à medida dos humores da chuva, a ansiedade adensou-se com as notícias que chegavam via telemóvel de que o corpo estava a deixar a igreja.

A expetativa cresceu, o murmúrio aumentou e foi transformado em aplauso quando o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, surgiu entre a multidão. O compasso de espera alongou-se e o corpo de Eusébio tardou em chegar.

Entre do caos, o carro fúnebre fez-se anunciar com palmas e cânticos a “Eusébio, o nosso rei”, enquanto os representantes do governo Luís Marques Guedes, ministro da Presidência, e o secretário de Estado do Desporto e Juventude, Emídio Guerreiro, cumpriam o apelo da multidão para fechar os guarda-chuvas.

Quando finalmente o caixão do “Pantera Negra” se vislumbrou, a confusão instalou-se, com Rui Costa a emergir dos milhares de pessoas que se juntaram para o último adeus do antigo futebolista para restabelecer alguma ordem e colocar a família junto da sepultura do “herói” nacional.

O caixão fez-se à terra, enquanto das “bancadas” eram lançadas flores e cachecóis que, tal como uma bandeira do Benfica, colocada em conjunto por Rui Costa, Jorge Jesus e os chorosos Luisão e Cardozo, acompanhou Eusébio na sua última morada.

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