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“Na altura houve vozes contra”: a mudança que Coimbra viveu e que agora chega à Rua da Sofia
A transformação da Baixa de Coimbra não é uma novidade para quem há décadas trabalha nas ruas mais centrais da cidade.
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Antes das mudanças previstas para a Rua da Sofia, foi a Rua Visconde da Luz, no início da década de 80, a passar por uma alteração semelhante, com o encerramento ao trânsito automóvel e a transformação do espaço.
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O Notícias de Coimbra esteve no local e falou com um comerciante que acompanhou essa mudança e que, atualmente, continua à frente do negócio familiar na Rua Visconde da Luz.
“Cresci aqui”, conta o comerciante, que começou a trabalhar no estabelecimento ainda adolescente, depois de o negócio ter passado do pai para a geração seguinte. Ao longo das décadas, assistiu à transformação da rua, incluindo à passagem dos elétricos e, posteriormente, à criação de uma zona pedonal.
A mudança não foi consensual. “Na altura houve vozes contra também, mas com o tempo acentuou-se mais”, recorda Luís Braga da Chapelaria Braga. Segundo explica, enquanto o negócio continuou a correr bem, a contestação não era tão evidente. “Na altura dos anos 80, o negócio também corria mais ou menos bem, e depois quando começou a cair o negócio, as vozes ouviam-se mais.”
Entre as principais críticas estavam as dificuldades de acesso à Baixa e a falta de transportes e estacionamento. “Faltavam transportes, faltavam parar aqui, saírem dos carros, essas coisas todas”, explica.
O estacionamento pago nas imediações também contribuiu para a insatisfação. “Na própria Baixa e nas redondezas é tudo a pagar e as pessoas também estão um bocado acostumadas ao carro até à porta das coisas”, afirma.
Apesar da contestação que existiu, o comerciante reconhece que a retirada dos carros acabou por alterar significativamente a circulação de pessoas. “Muita mais gente passa” atualmente pela rua, embora admita que o movimento também tenha diminuído nos últimos tempos.
Na sua memória, antes da transformação, os passeios eram muito mais pequenos e o espaço disponível para os peões era reduzido. “Naquela altura aqui era muita gente que nunca via nos passeios”, recorda.
O turismo também contribuiu para aumentar o movimento da Baixa, sobretudo durante o verão. “O turismo também, no verão, muita gente”, afirma, lembrando que os passeios eram então “muito curtos”.
Agora, quase meio século depois, o cenário volta a repetir-se noutra artéria da Baixa. A partir de 10 de setembro, a Rua da Sofia vai deixar de permitir a circulação automóvel geral, no âmbito das alterações previstas para a circulação na zona.
O comerciante diz não acompanhar diretamente as conversas entre os colegas da Rua da Sofia, mas reconhece que existem diferentes posições. “Nunca pode ser ao sabor de toda a gente”, afirma.
Ainda assim, admite que o comércio sente atualmente algumas dificuldades. “O negócio sente-se um bocado, agora também está um bocado mais fraco”, refere, considerando que existe também uma questão de hábito: “As pessoas já estão acostumadas ao comodismo”.
Outra das dificuldades que identifica no quotidiano da Baixa está relacionada com as cargas e descargas. “De manhã aqui está uma confusão por causa das cargas e descargas”, explica, lembrando que os estabelecimentos precisam de receber mercadoria diariamente.
Apesar das vozes contra as alterações, a experiência da Rua Visconde da Luz mostra que as mudanças na circulação automóvel não são propriamente inéditas em Coimbra. Na década de 1980, também houve contestação. Décadas depois, a rua mantém-se como uma das principais zonas pedonais da Baixa e recebe diariamente moradores, visitantes e turistas.
Agora, a atenção está virada para a Rua da Sofia, onde comerciantes e moradores acompanham com expectativa uma transformação que promete voltar a dividir opiniões na Baixa de Coimbra.
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