Esta semana, o Metro Mondego decidiu assinalar uma data muito especial. Não, não foi a inauguração de uma nova linha, nem a chegada a zonas há muito prometidas. Foi, imagine-se, o Dia Mundial do Transporte Público.
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Nas redes sociais, multiplicaram-se as mensagens otimistas: “Hoje é o Dia Mundial do Transporte Público… e já ajudou a retirar uns quantos carros do caminho. A região agradece”. E é verdade, em parte. Uma parte muito pequena. Porque há carros que efetivamente saem do caminho… mas às vezes é porque se cruzaram com o metro da pior forma. Outros continuam bem presentes, sobretudo quando há quem tenha de vir, por exemplo, de Serpins até à Lousã de carro, só para conseguir depois apanhar o metro.
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Mas houve mais. Outra publicação garantia: “aproveite, este pode ser o momento mais calmo do dia”. Aqui, talvez seja preciso um pequeno exercício de imaginação. Calmo como? Calmo para quem vai em pé, numa espécie de experiência sensorial que mistura frio e calor na mesma viagem? Calmo para quem ainda faz um percurso extra antes sequer de entrar no metro? Ou calmo naquele sentido mais profundo, quase meditativo, em que a pessoa aceita o seu destino e simplesmente segue?
Tudo isto acaba por ter um certo encanto, quase como uma sessão de terapia intensiva sobre metrobus. Uma viagem que não é só física, mas também emocional.
Mas atenção, isto não é para criticar. Pelo contrário. Devemos, claro, celebrar o Dia Mundial do Transporte Público. Especialmente este. O metrobus que, até agora, praticamente não deu problemas. Tirando pequenos detalhes: falhas de sinalização, quedas de taludes que interrompem a circulação, investimentos milionários, obras que se prolongam, acidentes ocasionais… pormenores.
No fundo, o problema nunca é do metro. É sempre de quem lá anda… ou, claro, do tempo.
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