Coimbra

Manuel Antunes homenageado hoje em Coimbra

Notícias de Coimbra | 6 anos atrás em 16-06-2018

O diretor do Centro de Cirurgia Cardiotorácica (CCT) do Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra (CHUC), Professor Doutor Manuel Antunes, vai ser homenageado hoje,  dia 16 de junho, num jantar de gala a realizar no Convento de S. Francisco em Coimbra.

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Esta é uma iniciativa do Círculo de Amigos do CCT, que pretende assinalar os 30 anos do serviço e distinguir o contributo do homem que lidera a equipa desde o início, tornando-o um centro de referência nacional e internacional nas áreas do transplante cardíaco e da reparação da válvula mitral.

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Segundo Frederico Teixeira, presidente do Círculo de Amigos do CCT, “a qualidade e a quantidade da atividade desenvolvida sob a orientação de Manuel Antunes foi o caminho da afirmação, para um novo modelo de trabalho, introduzido numa unidade que se viria a transformar no primeiro Centro de Responsabilidade Integrada do País, num misto de responsabilidade, qualidade, eficiência e humanismo, que a todos tocou”.

Esta iniciativa acontece por ocasião dos 30 anos do CCT, e que coincidem com o 70.º aniversário do seu diretor e com a sua jubilação, após 45.000 Cirurgias Cardíacas e Pulmonares, 358 Transplantes Cardíacos, e a classificação do CCT como Unidade de Referência, reconhecida nacional e internacionalmente.

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“Não poderia o Círculo de Amigos deixar de se juntar em redor do Fundador do CCT, para o homenagear e trazer a esta homenagem altas personalidades, que acompanharam o desenvolvimento e a atividade do CCT (ou até que para tal muito contribuíram) como testemunhas da obra ímpar aqui realizada nos HUC”, explica Frederico Teixeira.

Manuel Antunes chegou a Coimbra para chefiar o Serviço de Cirurgia Cardiotorácica em 21 de março de 1988.

Nestes 30 anos, o serviço afirmou-se sobretudo nas áreas da transplantação cardíaca e da reparação da válvula mitral e foi responsável, desde cedo, pela eliminação da lista de espera para cirurgia cardíaca e torácica existente na Zona Centro do País. Uma realidade a que não é alheia o facto de todos os elementos do corpo clínico se encontrarem em regime de dedicação exclusiva e jornada contínua.

A crescente produtividade evidenciada ao longo dos anos, a par da elevada qualidade dos serviços prestados, expressa nas baixas taxas de mortalidade e morbilidade, contribuíram para o prestígio do Serviço, não só a nível nacional como também a nível internacional. Por estes motivos, o Serviço começou a ser procurado por doentes de todo o País, dando assim um importante contributo na diminuição da lista de espera nacional.

Regularmente, o Serviço é também procurado por doentes provenientes do estrangeiro, sendo atualmente o centro que mais transplantes cardíacos faz ao nível da Península Ibérica.

O Serviço tem também sido frequentado por inúmeros cirurgiões provenientes de mais de 20 países, para a realização de estágios com duração de vários dias a mais de um ano, especialmente relacionados com a atividade de reconstrução da válvula mitral, de que o Serviço se tornou referência internacional.

Fruto deste reconhecimento, Manuel Antunes recebeu as mais diversas comendas e distinções nacionais e profissionais e tem realizado cirurgias no mundo inteiro, incluindo no âmbito de missões humanitárias, como por exemplo no Instituto do Coração de Maputo, em Moçambique, e, mais recentemente, em Amã, Jordânia, onde operou 14 crianças refugiadas sírias.
Círculo de Amigos nasceu para “ajudar e formar”

O Círculo de Amigos do Centro de Cirurgia Cardiotorácica dos HUC, responsável pela realização desta homenagem, foi fundado em 24 de novembro de 1999 com o objetivo de ajudar os doentes operados no CCT e contribuir para a formação dos profissionais do serviço.

Ao longo dos 18 anos de existência, tem apoiado doentes sem condições financeiras, nomeadamente provenientes de Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, com alojamento, alimentação e transporte. Com esse propósito, dispõe de um centro de alojamento composto por quatro apartamentos para acolher doentes na fase posterior ao transplante, em que a vigilância médica é uma necessidade constante.

A par deste trabalho, todos os anos oferece um equipamento útil ao Serviço, sendo exemplos recentes uma aparelhagem de videotoracoscopia e um ecógrafo. No que diz respeito à formação, financia a participação dos profissionais do serviço em estágios e congressos relevantes na área.

Diversas personalidades de vários setores confirmaram presença na homenagem a Manuel Antunes.

Entre eles está o ex-Presidente da República Aníbal Cavaco Silva, de quem Manuel Antunes  foi mandatário das suas duas candidaturas presidenciais no distrito de Coimbra.

As ex-governantes Maria de Belém Roseira e Leonor Beleza, os ex-deputados Manuel Alegre e Marques Mendes, a Presidente da Administração Regional de Saúde do Centro,  Rosa Reis Marques, o Bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, o Reitor da Universidade de Coimbra (UC),  Dr. João Gabriel Silva, o Diretor da Faculdade de Medicina da UC, Prof. Duarte Nuno Vieira, colegas e diretores hospitalares e de serviços de Cirurgia Cardiotorácica de todo o País, entre muitos outros, também vão estar presentes no evento.

 

Esta é uma iniciativa do Círculo de Amigos do CCT, que pretende assinalar os 30 anos do Serviço, e que vai juntar inúmeras personalidades nacionais e internacionais do Setor da Saúde, bem como doentes e amigos, para distinguir o trabalho desenvolvido pelo cirurgião.

Estão previstas as intervenções do Presidente da Câmara Municipal de Coimbra, do Presidente do Círculo de Amigos, de um colega do Centro de Cirurgia Cardiotorácica, de um representante dos doentes, do Presidente do Conselho de Administração do CHUC, do Ministro da Saúde, e do homenageado Prof. Doutor Manuel Antunes.

Manuel Antunes passa em julho à condição de aposentado, por atingir o limite de idade, mas recusa abandonar a atividade.

Em declarações à agência Lusa, o cirurgião critica a lei de 1929 que o obriga a deixar de trabalhar no sistema público por atingir os 70 anos, considerando que “ainda teria muito para oferecer ao Serviço Nacional de Saúde (SNS)”.

“Agora não me vou sentar no sofá a ler o jornal e a beber uma caneca de cerveja ou um whisky”, salientou o cirurgião, acrescentando que também não está “muito inclinado” para chefiar grupos de trabalho “disto ou daquilo”.

O médico e professor catedrático da Universidade de Coimbra considera que “ainda continua bem na sala de operações, e é lá” que continuará a estar, “o que significa que se não puder ser no SNS, só pode ser no sistema privado”.

O cirurgião salienta que tem várias opções, até no estrangeiro, em prol das ações humanitárias em que também se dedicou, ou na edição internacional de trabalhos científicos, em que tem mais de 400 artigos publicados, mas que é na sala de operações que pretende continuar a sua atividade.

“Sempre disse que o setor privado é um bom complemento para o SNS e, provavelmente, é assim que vou fazer”, disse Manuel Antunes, que durante o seu percurso profissional se dedicou exclusivamente ao SNS, liderando um serviço com um corpo clínico em regime de dedicação exclusiva e sem lista de espera.

Manuel Antunes especializou-se e doutorou-se em cirurgia cardiotorácica na África do Sul, onde foi diretor de serviço durante 13 anos e meio, vindo depois para Coimbra, em 21 de março de 1988, por convite, para chefiar o Serviço de Cirurgia Cardiotorácica dos Hospitais da Universidade de Coimbra.

O serviço afirmou-se sobretudo nas áreas da transplantação cardíaca e da reparação da válvula mitral, e foi responsável, desde logo, pela eliminação da lista de espera para cirurgia cardíaca e torácica existente no Centro do país.

Nestes 30 anos, Manuel Antunes liderou uma equipa responsável por 45.000 cirurgias cardíacas e pulmonares, 358 transplantes cardíacos, num serviço classificado pelo Ministério da Saúde como Centro de Referência, reconhecido nacional e internacionalmente.

“Antes de eu vir, entre 1976 a 1985, tinham sido operados 183 doentes ao coração, cerca de 20 por ano, com uma mortalidade elevadíssima, e nós só no primeiro ano, em cinco meses de atividade, ultrapassámos esses valores”, recordou o cirurgião.

Segundo Manuel Antunes, o serviço tinha sido construído para 250 por ano, “o que era um grande salto”

“Mas eu disse que, para a região Centro, precisávamos de pelo menos 450 a 500″, pelo que foi necessário efetuar adaptações nas instalações ainda antes de serem inauguradas.

Depois, “foi sempre a crescer e hoje opera-se mais de 1.900 doentes. Foi um impacto muito grande em Coimbra, mas também, de certo modo, a nível nacional, porque se trouxe uma maneira diferente de lidar com as coisas que, por arrasto, fez com que os outros serviços também melhorassem”, sublinhou.

Apesar de ser o serviço que, em conjunto, cardíaco e torácico/cardíaco e pulmonar, tem maior atividade no país, não tem lista de espera “e opera doentes, basicamente, de todo o país”, acrescentou.

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