A discussão em torno das alterações à circulação automóvel na Baixa de Coimbra está longe de ser nova. Se, em 2026, a Rua da Sofia se prepara para deixar de permitir a circulação automóvel geral, há comerciantes que recordam as mudanças ocorridas noutras artérias da cidade e que continuam a defender que o fecho das ruas prejudicou o comércio.
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Na Rua Visconde da Luz, uma das artérias que foi transformada em zona pedonal no início da década de 1980, o Notícias de Coimbra falou com José, comerciante da conhecida Casa dos Enxovais, que mantém uma posição crítica relativamente ao encerramento das ruas ao trânsito.
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“Sempre fui” contra o fecho da rua, afirma, explicando a sua posição de forma direta: “A prova está aqui, é que não se faz negócio.”
Segundo o comerciante, o movimento comercial já não é comparável ao de outros tempos. “Não há negócio como antigamente”, lamenta. José recorda ainda o percurso de vida construído através do estabelecimento, onde trabalhou durante décadas com a mulher, entretanto falecida.
“Eu fiz aqui uma fortuna”, afirma, acrescentando que tem uma filha formada e um neto, professor universitário. Apesar da história familiar ligada ao comércio, diz não conseguir convencer os mais novos a continuar o negócio. “Não vejo maneira de os puxar para aqui. Não querem”, conta.
Aos 88 anos, José continua atento às decisões sobre o futuro da Baixa. O comerciante conta que esteve recentemente com o presidente da Câmara Municipal e que aproveitou para transmitir diretamente a sua posição sobre as mudanças previstas para a Rua da Sofia.
“Disse-lhe não feche ruas em Coimbra”, relata.
Para o comerciante, a experiência acumulada ao longo de décadas é suficiente para sustentar a sua opinião. A Casa dos Enxovais tem 61 anos e José considera que o encerramento das ruas ao trânsito tem consequências diretas no comércio.
“Fecha”, responde quando questionado sobre se o fim da circulação automóvel pode levar ao encerramento de estabelecimentos. E reforça: “Completamente o comércio.”
Apesar da convicção, admite que ainda poderá haver alterações às decisões previstas. Questionado sobre a possibilidade de a presidente da Câmara repensar a estratégia, responde: “Repensar. Eu penso que sim.”
José aponta precisamente para as transformações anteriores como exemplo daquilo que considera ter corrido mal. “Foi precisamente isso que fez que ter ruas desgraçou o comércio”, afirma. Confrontado com a expressão, reforça: “Completamente.”
A Rua Adelino Veiga é outro dos exemplos que utiliza para defender a sua posição. Segundo José, o encerramento daquela artéria teve consequências no comércio envolvente.
“Assim que fecharam aquilo, o comércio da Praça do Comércio foi abaixo”, afirma.
O comerciante recorda também que chegou a ter um estabelecimento nessa zona e que começou a trabalhar muito jovem. “Comecei lá com 10 anos. Sou filho de gente humilde. Tive de ir trabalhar cedo”, conta.
A crítica estende-se às opções políticas para a Baixa. “Mas não dá. Com estes políticos não dá”, afirma.
José recorda ainda a dimensão que o negócio chegou a alcançar ao longo das décadas. “Eu fiz uma fortuna”, diz, explicando que é proprietário de vários imóveis e que a Casa dos Anjos Vaz está instalada em dois estabelecimentos.
Aos 88 anos, e depois de mais de seis décadas ligadas ao comércio, mantém uma posição clara contra o encerramento das ruas ao trânsito automóvel.
A sua experiência junta-se assim às diferentes opiniões que têm surgido entre comerciantes da Baixa de Coimbra, numa altura em que a Rua da Sofia se prepara para uma nova alteração à circulação a partir de 10 de setembro.
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