A Associação Nacional de Empresas de Produtos Explosivos (ANEPE) enalteceu hoje as declarações do especialista em incêndios florestais Domingos Xavier Viegas, que na terça-feira disse no parlamento que a pirotecnia tem tido efeitos marginais.
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A associação reagiu hoje em comunicado às declarações de Xavier Viegas, que apontou no parlamento que o impacto da pirotecnia foi marginal nos últimos anos e que os incêndios causados por queimas e queimadas têm vindo a diminuir.
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Para a ANEPE, “estas declarações confirmam aquilo que o setor tem vindo a defender: não existe fundamento científico que justifique a associação sistemática entre a pirotecnia devidamente licenciada e a ocorrência de incêndios rurais”.
A associação considerou que é essencial que “as decisões públicas sejam tomadas com base na ciência, na evidência e nos dados disponíveis, e não em perceções ou associações generalistas que não refletem a realidade”.
Nesse sentido, a ANEPE recorda que o Governo suspendeu a atividade pirotécnica durante 20 dias no verão do ano passado, que terão provocado perdas entre três e quatro milhões de euros entre empresas, emprego e economias locais.
Para a associação, esta proibição foi feita “sem distinção entre práticas legais e ilegais” e “sem fundamentação técnica” que a sustentasse.
“Não é aceitável que continue a ser imposta a proibição de uma atividade legal, regulamentada e fiscalizada sem base científica, com consequências diretas para o tecido empresarial e para o emprego”, dizem os responsáveis da ANEPE, que pedem um diálogo urgente.
As empresas de produtos explosivos pediram a realização de reuniões com o primeiro-ministro e o ministro da Administração Interna, que foram solicitadas em agosto do ano passado e que “até à data, não tiveram seguimento”.
A ANEPE defendeu uma “abordagem equilibrada, que distinga claramente entre atividade legal e práticas ilegais e que assegure medidas proporcionais ao risco efetivo” e disse estar totalmente disponível para colaborar com as entidades públicas.
Na terça-feira, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) aos negócios dos incêndios florestais, o diretor do Centro de Estudos sobre Incêndios Florestais, Xavier Viegas, alertou para o aumento do número de fogos que começam durante a noite com origem na rede elétrica.
Na opinião de Xavier Viegas, “a sociedade e o país têm estado a prestar pouco atenção a este assunto e por vezes a investigação das causas não é feita com o devido cuidado”.
O investigador disse ainda que os acidentes originados em linhas elétricas, que têm causas acidentais, têm provocado “áreas ardidas importantes”.
Indicou também que as percentagens de incêndios com causas naturais são “bastante baixas”, mas há anos, como 2025, em que houve “uma área ardida bastante importante devido a causas naturais”.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) aos negócios dos incêndios florestais, imposta pelo Chega, pretende investigar as causas, a gestão e os eventuais negócios associados aos grandes fogos florestais.
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