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Há quatro gerações que o barro preto une esta família. Fernando conta a história

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 4 semanas atrás em 11-09-2026

Dias de festa, chanfana, champanhe, farturas e muitos expositores. A POIARTES regressa a Vila Nova de Poiares e volta a colocar no centro das atenções algumas das tradições mais ligadas ao concelho, entre elas a gastronomia e o emblemático barro preto.

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Entre os expositores está Fernando, que há vários anos marca presença na Feira de Artesanato de Vila Nova de Poiares e que assume uma ligação familiar de várias gerações à produção de barro preto.

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“Na história do barro preto, eu já sou a quarta geração a produzir barro preto”, contou Fernando ao Notícias de Coimbra, explicando que a tradição atravessa várias gerações da família.

“Já os meus avós, os meus bisavós” estavam ligados à produção, acrescentou. Segundo o artesão, “os meus filhos, os meus pais, toda a gente da pequena família” esteve ou está ligada a esta atividade.

Para Fernando, a presença do barro preto é praticamente inseparável da própria identidade da POIART. “Fazemos parte quase da mobília da Feira de Artesanato”, afirmou, garantindo que participa no certame “todos os anos, ao longo dos anos”.

E há uma combinação que, para o artesão, faz todo o sentido: “Não há champanhe sem barro preto”. Mais do que uma simples peça de artesanato, defende, trata-se de uma tradição que deve continuar a ser valorizada.

“Não ficaria bem haver uma POIARTES sem barro preto”, afirmou, embora reconheça que a feira tem vindo a acolher cada vez mais produtos e propostas diferentes.

No espaço de Fernando, os visitantes podem encontrar peças tradicionais destinadas sobretudo à utilização culinária, mas também artigos decorativos. “Aqui pode-se encontrar tudo o que nós já temos”, explicou, apontando entre os produtos disponíveis para peças como assadeiras, alguidares e tabuleiros.

Apesar de a vertente tradicional continuar a ter grande procura, o artesão garante que existe espaço para diferentes gostos. “Há clientes que preferem peças mais decorativas”, contou.

Um exemplo recente aconteceu numa feira em Almeida, onde, segundo Fernando, as peças mais vendidas foram precisamente as de cariz decorativo, sobretudo junto do público espanhol.

Já na POIARTES, a procura pelo barro preto surgiu logo nos primeiros momentos da feira. E houve visitantes que chegaram de longe.

“Já, por incrível que pareça, atendi dois clientes que nem são daqui de Poiares, nem têm nada a ver com Poiares, mas têm muita coisa a ver com a chanfana”, relatou.

Os clientes vieram “de Óbidos de propósito para visitar Poiares” e aproveitar o fim de semana na região. Vieram à procura da gastronomia típica, mas acabaram também por levar consigo um pedaço da tradição artesanal local.

“Vieram à procura da chanfana a Poiares” e acabaram por comprar peças de utilização culinária, contou Fernando.

A gastronomia é, aliás, outro dos grandes protagonistas destes dias de festa. Para Fernando, quem gosta de uma boa chanfana deve passar por Vila Nova de Poiares, embora reconheça que existem outros locais onde também se come bem.

“Quem quiser comer e quem gostar de comer chanfana, boa chanfana, tem que efetivamente vir a Vila Nova de Poiares”, defendeu, antes de deixar a sua sentença: “Mas a melhor, a melhor é a de Poiares”.

E nem é preciso esperar pela festa para provar o prato. “É um prato típico da região. Não necessita de grandes festas”, salientou.

A POIART decorre em Vila Nova de Poiares entre os dias 10 e 13 de setembro, com artesanato, gastronomia, música e animação. Entre chanfana, champanhe e farturas, o certame volta a reunir tradição e festa, com o barro preto a manter um lugar de destaque.

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