Há concelhos em Portugal onde a oferta imobiliária é composta exclusivamente por moradias e onde comprar casa pode custar menos de metade do valor praticado nos grandes centros urbanos. Os dados são do Imovirtual e revelam um forte contraste entre o interior do país e as zonas urbanas mais pressionadas.
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Segundo a plataforma, 53,7% dos concelhos portugueses têm uma oferta dominada por moradias (mais de 80%), evidenciando um padrão claro entre áreas urbanas e territórios de baixa densidade. Dentro deste universo, existem 18 concelhos onde toda a oferta disponível é exclusivamente de moradias, sem qualquer apartamento anunciado.
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O fenómeno não se limita aos casos mais extremos. No total, 94 concelhos apresentam entre 90% e 99% de moradias na oferta habitacional, enquanto outros 54 se situam entre os 80% e 89%, reforçando a predominância desta tipologia em grande parte do território nacional.
Esta realidade tem impacto direto nos preços. Nos concelhos onde só existem moradias à venda, o preço médio ronda os 135 mil euros, cerca de 69% abaixo da média nacional desta tipologia, que se situa nos 430 mil euros. Já nos territórios onde as moradias representam mais de 80% da oferta, o valor médio sobe para 265 mil euros.
Nos grandes centros urbanos, os valores são significativamente mais elevados, podendo atingir os 649 mil euros em média, o que representa uma diferença de mais de 300% face às zonas rurais.
Entre os concelhos com preços mais baixos e forte predominância de moradias destacam-se Castanheira de Pêra, Góis e Fornos de Algodres, onde os valores médios se mantêm abaixo dos 100 mil euros.
De acordo com o Imovirtual, cerca de 44% das moradias disponíveis nestes territórios são T5 ou superiores, e 36% são T4, refletindo uma oferta maioritariamente composta por habitação de grandes dimensões.
A nível nacional, as moradias apresentam atualmente um preço médio superior ao dos apartamentos, o que reforça a forte disparidade entre territórios urbanos e rurais.
A responsável de marketing do Imovirtual, Sylvia Bozzo, sublinha que “o mercado é cada vez mais fragmentado, com realidades muito diferentes entre regiões urbanas e o interior do país”.
O estudo evidencia ainda a concentração deste fenómeno no Interior Norte, Alentejo e algumas ilhas dos Açores, onde fatores como o despovoamento e a baixa densidade populacional continuam a influenciar fortemente o mercado habitacional.
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