As viagens de longo curso voltaram a fazer parte dos planos de férias de muitos portugueses. Depois de anos a privilegiar destinos dentro do Espaço Schengen, há cada vez mais gente a olhar para os Estados Unidos, o Reino Unido, o Brasil ou a Ásia como próximo destino de férias.
O problema é que sair da Europa já não significa apenas fazer as malas e comprar o bilhete de avião. Vários países mudaram as regras de entrada nos últimos anos, e alguns exigem agora autorizações eletrónicas antes mesmo do embarque, algo que não existia há uma década.
Há ainda outro ponto que costuma ser esquecido até ao último momento: a saúde. Fora da União Europeia, o Cartão Europeu de Seguro de Doença deixa de ter validade, e uma emergência médica pode custar muito mais do que a própria viagem. Por isso, contratar um seguro viagem tornou-se um passo tão importante como tratar do passaporte, sobretudo para destinos onde a assistência hospitalar privada é a norma.
Documentos essenciais para viajar fora da Europa
Antes de pensar em roupa ou itinerário, há três documentos que precisam de estar tratados com semanas de antecedência. Ignorar este passo é um dos motivos mais comuns de problemas no check-in ou no controlo de fronteira.
Passaporte: validade e outros cuidados
A maioria dos países fora da Europa exige que o passaporte tenha uma validade mínima a partir da data de entrada, muitas vezes seis meses. Convém confirmar esta regra caso a caso, porque varia consoante o destino.
Vale também a pena verificar se o passaporte tem páginas em branco suficientes, já que alguns países ainda carimbam a entrada e a saída.
Autorizações eletrónicas de viagem
Nos últimos anos, vários países passaram a pedir uma autorização eletrónica antes da viagem, mesmo a quem está isento de visto. É o caso de:
- Estados Unidos: exige o ESTA, aprovado antes do embarque, válido para estadias de turismo ou negócios de até 90 dias.
- Reino Unido: exige o UK ETA desde 2025, obrigatório também para escalas fora da zona de trânsito internacional.
Estas autorizações costumam demorar poucos dias a ser aprovadas, mas há sempre a possibilidade de pedidos adicionais de documentação, por isso o ideal é tratar disto com pelo menos duas semanas de antecedência.
Vistos: quando o passaporte não é suficiente
Nem todos os destinos fora da Europa pedem uma autorização eletrónica. Para países como o Brasil, o Japão ou a Argentina, um passaporte português válido costuma ser suficiente para estadias turísticas de até 90 dias, sem necessidade de visto prévio.
Já para outros destinos, sobretudo em partes da Ásia, do Médio Oriente ou de África, pode ser necessário pedir um visto antes da partida, ou obtê-lo à chegada mediante o pagamento de uma taxa.
A melhor forma de evitar surpresas é consultar sempre os conselhos aos viajantes do Portal das Comunidades Portuguesas antes de comprar os bilhetes, já que os requisitos podem mudar sem aviso prévio.
Seguro de viagem: o cuidado que evita despesas inesperadas
Um erro comum é assumir que qualquer cartão de saúde português cobre emergências no estrangeiro. Fora da Europa, isso simplesmente não acontece.
Por que o cartão europeu não serve fora da Europa
O Cartão Europeu de Seguro de Doença só tem validade dentro do Espaço Europeu. Fora dele, qualquer atendimento médico, internamento ou repatriamento fica por conta do viajante, e em países como os Estados Unidos os valores cobrados por hospitais privados podem ultrapassar facilmente os 10 mil euros por poucos dias de internamento.
O que verificar antes de contratar
Antes de escolher uma apólice, confirme:
- O valor máximo de cobertura médica.
- Inclui repatriamento e evacuação de emergência.
- Se cobrem atividades específicas do destino, como desportos de aventura.
- O prazo para acionar a assistência em caso de urgência.
Companhias especializadas em seguros de viagem, como a Heymondo, costumam disponibilizar estas informações de forma clara antes da contratação, o que facilita a comparação entre diferentes apólices antes de decidir.
Outros cuidados antes de embarcar
Além dos documentos e do seguro, há pormenores que fazem diferença numa viagem mais longa.
| Destino | Documento de entrada | Estadia habitual sem visto |
| Estados Unidos | Passaporte + ESTA | 90 dias |
| Reino Unido | Passaporte + UK ETA | Até 6 meses |
| Brasil | Apenas passaporte | 90 dias |
Vale ainda a pena verificar se o destino exige alguma vacina específica, registar a viagem junto das autoridades consulares portuguesas e fazer cópias digitais de todos os documentos, guardadas separadas dos originais.
Erros comuns que os viajantes cometem
- Deixar o pedido de ESTA ou ETA para os últimos dias antes do voo.
- Assumir que o seguro de saúde do trabalho cobre urgências no estrangeiro.
- Não verificar a validade mínima do passaporte exigida pelo país de destino.
- Ignorar as regras específicas para escalas em países terceiros.
Viajar fora da Europa em 2026 continua a ser perfeitamente possível para quem se organiza com antecedência. O segredo está em tratar cada etapa com calma: confirmar o passaporte, pedir a autorização correta, perceber se é preciso visto e garantir uma cobertura de saúde adequada ao destino. Feito isto, sobra apenas o essencial: aproveitar a viagem sem sobressaltos.
Perguntas frequentes
Preciso de visto para todos os destinos fora da Europa?
Não. Muitos países, como o Brasil ou o Japão, aceitam apenas o passaporte para estadias turísticas curtas. Outros exigem visto ou autorização eletrónica prévia.
O ESTA e o UK ETA substituem o visto?
Não é um visto, mas uma autorização de entrada para quem está isento de visto em viagens de turismo ou negócios de curta duração.
O Cartão Europeu de Seguro de Doença funciona fora da Europa?
Não. É válido apenas dentro do Espaço Europeu, por isso é necessário um seguro de viagem próprio para destinos fora da UE.
Com quanto tempo de antecedência devo tratar destes documentos?
O recomendado é começar pelo menos três a quatro semanas antes da viagem, sobretudo se o destino exigir visto.
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