A Marcha de Vale de Açor foi uma das participantes das Marchas Populares de Miranda do Corvo, num desfile marcado pela criatividade do tema “fogo e água” e por momentos de grande animação junto ao público.
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A madrinha da marcha explicou que a inspiração nasceu da dualidade entre os dois elementos, num conceito pensado para resultar em palco.
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“É sobre o amor entre o fogo e a água. Eu sou a água que apaga o teu fogo”, afirmou, sublinhando o simbolismo da atuação.
O tema acabou por ganhar ainda mais vida em plena atuação, num ambiente de festa e temperaturas elevadas.
“Não podia calhar melhor do que nesta noite muito quente aqui em Miranda do Corvo”, referiu.
Já o padrinho destacou a ligação emocional da marcha à sua freguesia e a alegria por desfilar no concelho.
“Não podíamos estar mais felizes porque é a nossa freguesia”, disse, acrescentando: “Dançar em Miranda do Corvo nesta noite quente não há nada melhor.”
O momento mais descontraído surgiu quando o diálogo entre madrinha e padrinho reforçou o conceito da marcha, entre brincadeira e encenação.
“Eu sou a água que apaga o teu fogo”, repetiu a madrinha, ao que o padrinho respondeu em tom bem-disposto que, neste caso, era ele quem “dava o fogo” à marcha.
A preparação do grupo envolve várias dezenas de participantes e um trabalho que se prolonga ao longo de muitos meses.
“Começamos sempre na primeira sexta-feira de janeiro. São muitas horas, muitas horas de trabalho”, explicou o padrinho e ensaiador, admitindo que o esforço começa ainda antes dos ensaios formais.
“Na verdade, começamos logo no final de setembro a organizar a marcha do ano seguinte”, acrescentou.
Os figurinos foram inteiramente concebidos pela madrinha, com apoio de uma costureira habitual do grupo.
“O figurino é meu, é uma roupa criada por mim”, afirmou, destacando ainda o trabalho da costureira Graça Ribeiro, “que tem umas mãos de fada”.
A marcha, composta por cerca de 65 elementos, não escondeu também alguma desilusão por não ter integrado a programação da Noite Branca de Coimbra, onde participou durante cerca de 15 anos.
“Não fomos ao sorteio. Nunca nos disseram nem sim nem não”, referiu a madrinha, explicando que o grupo apenas teve conhecimento da situação posteriormente.
Ainda assim, o sentimento predominante é de continuidade e dedicação à tradição.
“Nós andamos nisto por amor, gostamos daquilo que fazemos e temos orgulho”, afirmou, deixando em aberto o regresso futuro a grandes eventos.
A atuação terminou em clima de festa, com o grupo a reforçar o espírito do tema em palco e junto do público.
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