Entre Faro e a Manta Rota, no Sotavento algarvio, existe um dos mais importantes sistemas lagunares de Portugal.
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A Ria Formosa estende-se por cerca de 60 quilómetros e integra uma sucessão de canais, sapais, bancos de areia, dunas, salinas e ilhas que funcionam como uma barreira natural entre o Atlântico e a costa.
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Apesar do nome, a Ria Formosa não é tecnicamente uma ria, mas um sistema lagunar costeiro. A sua profundidade média ronda os dois metros e grande parte da área fica exposta durante a baixa-mar, fazendo com que a paisagem se transforme várias vezes ao dia ao ritmo das marés.
O sistema integra cinco ilhas-barreira — Barreta ou Deserta, Culatra, Armona, Tavira e Cabanas — e duas penínsulas, Ancão e Cacela.
A Ria Formosa foi classificada como Parque Natural em 1987, depois de ter sido Reserva Natural desde 1978. O Parque Natural tem uma área de 17.900,77 hectares e reúne uma enorme diversidade de habitats e espécies.
A importância ecológica do território ultrapassa ainda a classificação nacional. A Ria Formosa está integrada na Rede Natura 2000 e é também uma Zona de Proteção Especial, com uma área de 23.269,2 hectares, incluindo zonas terrestres e marinhas.
Um dos símbolos do parque é o caimão ou galinha-sultana, uma espécie ameaçada que encontrou na zona húmida um dos seus habitats, descreve o ICNF.
A Ria é também fundamental para aves aquáticas, peixes, moluscos e outras espécies que dependem dos sapais, bancos de areia, zonas intertidais e pradarias marinhas.
As 5 ilhas-barreira
Ilha da Barreta ou Ilha Deserta: É a mais selvagem das cinco. Conhecida como Ilha Deserta, a Barreta é praticamente desabitada e distingue-se pelos extensos areais e pela natureza pouco urbanizada.
É aqui que se encontra o Cabo de Santa Maria, considerado o ponto mais meridional de Portugal continental. O acesso é feito por barco a partir de Faro, como consta no site da Ria Formosa.
É uma das opções para quem procura uma experiência mais próxima da natureza e longe da maior concentração turística.

Ilha da Culatra: A Culatra é uma das ilhas onde a presença humana mais se faz sentir. Tem cerca de sete quilómetros e inclui os núcleos de Culatra, Hangares e Farol.
A ilha mantém uma forte ligação à pesca e às comunidades locais. No núcleo do Farol encontra-se o Farol de Santa Maria, em funcionamento desde 1851.
É uma ilha onde a experiência balnear se cruza com a vida das comunidades piscatórias, restaurantes, pequenas ruas de areia e atividades ligadas ao mar.

Ilha da Armona: A Ilha da Armona estende-se por cerca de nove quilómetros e é uma das mais procuradas durante o verão. Tem uma povoação, restaurantes, casas de férias e parque de campismo.
Uma das características apontadas é a existência de praias extensas e águas geralmente calmas e pouco profundas. No extremo nascente fica a Praia da Barra Nova, numa zona menos ocupada.
O acesso pode ser feito de ferry a partir de Olhão, numa viagem de aproximadamente 15 minutos, ou a partir da Fuseta para a zona nascente da ilha.

Ilha de Tavira: Com cerca de 11 quilómetros, é a maior das ilhas-barreira da Ria Formosa. Tem diferentes ambientes balneares, desde zonas com maior concentração de restaurantes e serviços até áreas mais tranquilas.
Um dos seus locais mais conhecidos é a Praia do Barril, marcada pelo famoso cemitério das âncoras, conjunto de dezenas de âncoras colocadas na areia em memória da antiga atividade de pesca do atum.
É uma das ilhas que melhor combina praia, património e memória das antigas comunidades ligadas ao mar.

Ilha de Cabanas: A Ilha de Cabanas fecha, a nascente, o conjunto das cinco ilhas-barreira. Tem cerca de sete quilómetros e apresenta um ambiente mais tranquilo e íntimo.
Fica em frente a Cabanas de Tavira, sendo a travessia curta. O seu extenso areal é um dos grandes atrativos para quem procura uma praia menos urbana.
Uma das características mais impressionantes da Ria Formosa é que a paisagem não é fixa.
A profundidade média da laguna ronda os dois metros e cerca de 80% dos fundos podem ficar expostos durante a baixa-mar em regime de marés vivas. Apenas cerca de 14% da superfície lagunar permanece permanentemente submersa.
É por isso que, no espaço de poucas horas, um canal cheio de água pode transformar-se num enorme banco de areia ou lama, revelando áreas utilizadas por aves e outras espécies.

A ligação entre a Ria e o oceano é feita através de seis barras de maré: Ancão/São Luís, Faro-Olhão, Armona, Fuseta, Tavira e Lacém.
A imagem turística da Ria Formosa está muitas vezes associada às praias de areia branca e às águas tranquilas das ilhas. Mas o sistema é também uma zona de enorme importância económica e ecológica.
A pesca, a apanha de moluscos, a aquacultura, as salinas e outras atividades tradicionais fazem parte da relação histórica entre as populações e a Ria.
Ao mesmo tempo, os sapais, canais e zonas intertidais funcionam como áreas fundamentais para inúmeras espécies.
O próprio ICNF destaca a diversidade de habitats, incluindo ilhas-barreira, sapais, bancos de areia e de vasa, dunas, salinas, lagoas de água doce e salobra, cursos de água, áreas agrícolas e matas.
A Ria Formosa não pertence apenas a uma localidade. O sistema estende-se pelos concelhos de Loulé, Faro, Olhão, Tavira e Vila Real de Santo António.
Ao longo deste território encontram-se localidades com identidades muito diferentes: Faro, Olhão, Fuseta, Tavira e Cacela Velha, entre outras.
É precisamente esta combinação entre natureza protegida, comunidades piscatórias, praias, gastronomia e património que faz da Ria Formosa um dos territórios mais singulares do Algarve.
A importância paisagística da Ria Formosa também foi reconhecida pelo público português: em 2010 foi eleita uma das 7 Maravilhas Naturais de Portugal.
Hoje, continua a ser simultaneamente destino turístico e área natural protegida — um equilíbrio particularmente importante num território sujeito a forte pressão durante os meses de verão.
Mais do que um conjunto de praias, a Ria Formosa é um sistema vivo, moldado diariamente pelas marés, pelo vento e pelo movimento das areias. E as cinco ilhas-barreira — Barreta, Culatra, Armona, Tavira e Cabanas — são a face mais visível dessa paisagem.
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