Polícias

Enquanto o Governo quer + agentes na rua, PSP de Coimbra “esconde” chefe veterano em gabinete

Notícias de Coimbra | 2 meses atrás em 22-07-2026

Enquanto o ministro da Administração Interna, Luís Neves, anunciou esta terça-feira, 21 de julho, que os polícias colocados em funções administrativas serão gradualmente substituídos por civis para regressarem ao serviço operacional, em Coimbra a realidade parece seguir em sentido inverso.

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No Comando Distrital da PSP de Coimbra, o chefe da antiga 2.ª Equipa de Intervenção Rápida (EIR), unidade desmantelada em fevereiro de 2024, com larga experiência operacional vai ser retirado da da rua para desempenharem tarefas administrativas.

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Após mais de 27 anos na linha da frente, o graduado vai abandonar o serviço operacional para passar a exercer funções administrativas na Esquadra de Trânsito, apresentando-se ao novo posto já na próxima segunda-feira, 27 de julho.

A decisão foi tornada pública pelo próprio polícia através de um emotivo desabafo nas redes sociais, onde relata a forma inesperada como soube da mudança.

“Quando estava a fazer um dos trabalhos mais duros que a minha profissão pode ter, cumprir um mandado e retirar quatro filhos menores ao pai, quando estava a falar com o progenitor, recebo uma mensagem para ver a ordem de serviço.”

O agente não esconde a desilusão pelo desfecho de uma carreira dedicada ao patrulhamento e à intervenção policial, considerando que termina um percurso de décadas no terreno para assumir funções de secretaria.

A situação contrasta com as declarações do ministro da Administração Interna, que anunciou uma reorganização nacional destinada precisamente a libertar polícias das tarefas burocráticas.

Segundo o Jornal de Notícias, o processo será gradual e começará pelos comandos de Lisboa, Setúbal e Porto, permitindo que os agentes regressem às funções operacionais enquanto os serviços administrativos passam a ser assegurados por trabalhadores civis.

Questionado pelo Notícias de Coimbra, o SPPOL – Sindicato de Polícia pela Ordem e Liberdade critica a opção seguida em Coimbra.

“A retirada de polícias do serviço operacional para funções administrativas compromete a capacidade de resposta da PSP e fragiliza a segurança pública, sobretudo quando envolve elementos com competências especializadas.”

O sindicato defende ainda “o reforço urgente de efetivos, a valorização da carreira policial e a reorganização dos serviços administrativos, de forma a libertar mais polícias para o policiamento operacional”.

Em resposta ao nosso jornal, o Comando Distrital da PSP de Coimbra salienta que “não comenta decisões de gestão interna do efetivo da PSP”.

Acrescentando no email que “mantém o compromisso de reforçar a presença policial nos locais de maior concentração de pessoas, de modo a aumentar o sentimento de segurança da população”. A força de segurança dá como exemplo “a criação de uma equipa de policiamento de bairro exclusivamente dedicada à Baixa de Coimbra, reforço da presença através da afetação de outras equipas policiais, nomeadamente das valências de policiamento de proximidade, trânsito, investigação criminal, fiscalização e intervenção rápida”.

O nosso jornal solicitou esclarecimentos ao Ministério da Administração Interna e à Direção Nacional da PSP sobre esta reafetação e sobre o impacto da retirada de operacionais para funções administrativas.

Até ao momento, não foi recebida qualquer resposta.

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