Coimbra

“É uma emoção que não se explica”: Círio volta a unir Coimbra e Ribeira de Frades

Notícias de Coimbra | 4 semanas atrás em 15-08-2026

A tradição voltou a cumprir-se este 15 de agosto, com o Círio de Nossa Senhora da Nazaré a sair da Igreja de Santa Cruz, em Coimbra, e a percorrer várias ruas e lugares até chegar à Ribeira de Frades..

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A tradição junta pessoas a pé, a cavalo, de bicicleta e em carros e tratores decorados, numa demonstração de devoção que, para muitos dos participantes, ultrapassa o caráter festivo. Ao longo do percurso, são várias as pessoas que se aproximam do Círio para o beijar ou tocar, cumprindo promessas e expressando a sua fé.

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Para Joana Santos, presidente da Comissão de Festas da Ribeira de Frades, o momento em que o Círio é recebido é difícil de traduzir em palavras. «É grande. É uma emoção que não se explica», afirmou.

Mais do que uma promessa individual, Joana Santos considera que a manutenção desta tradição representa uma responsabilidade para toda a comunidade.

«Isto é a nossa terra. Nós fazemos a festa para homenagear a nossa terra e para não perdermos esta tradição», explicou, acrescentando que a continuidade do ritual é essencial para que o Círio permaneça ligado à Ribeira de Frades.

«Se nós não a viéssemos buscar, vai para outra terra aqui de Coimbra. E nós não queremos que isso aconteça», afirmou.

Um dos elementos que mais evidencia a dimensão pessoal da devoção são as fitas colocadas junto ao Círio. Ao longo dos anos, muitas pessoas deixam mensagens e dedicatórias associadas a promessas feitas a Nossa Senhora da Nazaré.

«São promessas que as pessoas têm», explicou Joana Santos, perante as várias dedicatórias que acompanham o Círio. Muitas delas, acrescentou, representam momentos de «ação de graças».

Por respeito à intimidade dos devotos, as mensagens não são lidas publicamente, mas permanecem como testemunho das histórias pessoais que se cruzam com esta tradição.

Um dos momentos mais aguardados do percurso acontece nos Casais, onde se realiza o encontro das duas bandeiras.

«É o encontro das duas bandeiras, a que vem da Ribeira e a que vai daqui», explicou a presidente da Comissão de Festas.

O momento é vivido com particular intensidade pelos participantes e é tradicionalmente marcado por grande emoção. Depois das lágrimas e das manifestações de fé ao longo do percurso, o encontro das duas bandeiras representa um dos pontos altos da celebração.

O cortejo do Círio de Nossa Senhora da Nazaré é, assim, muito mais do que um percurso entre Coimbra e Ribeira de Frades. É uma tradição religiosa e comunitária que reúne promessas pessoais, memória coletiva e identidade local.

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