Saúde

Doces podem aumentar a ansiedade

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 2 semanas atrás em 05-05-2026

Imagem: depositphotos.com

O consumo de frutose tem vindo a aumentar significativamente nas sociedades modernas, o que levanta preocupações não apenas ao nível do peso corporal, mas também da saúde cerebral e emocional.

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Este açúcar, presente de forma natural em alimentos como fruta e mel, tornou-se muito mais comum na dieta diária, com possíveis consequências para o organismo.

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Ao longo da maior parte da história da humanidade, a frutose era consumida em quantidades reduzidas, já que o mel e os frutos eram as principais fontes disponíveis. Estes alimentos eram escassos e difíceis de obter, o que limitava naturalmente a ingestão deste açúcar. Atualmente, no entanto, o consumo aumentou de forma acentuada, chegando a níveis muito superiores aos do passado, dá conta o artigo do ZAP.

Enquanto no passado o consumo diário de frutose raramente ultrapassava os 5 gramas, nos países desenvolvidos estima-se que os valores atuais se situem entre 50 e 80 gramas por dia. Este aumento está associado a uma maior presença de açúcares adicionados e alimentos processados na dieta moderna.

Mais preocupante, segundo vários estudos realizados ao longo dos últimos anos, existe uma possível ligação entre a má absorção de frutose e sintomas como ansiedade e depressão. Uma investigação recente, publicada na revista Brain, Behavior and Immunity, procurou aprofundar esta relação tanto em humanos como em modelos animais.

No estudo, descrito pela Refractor, participaram 55 homens saudáveis com idades entre os 18 e os 35 anos, sem problemas de saúde relevantes. Os voluntários ingeriram 35 gramas de frutose e foram submetidos a testes respiratórios. Os resultados mostraram que cerca de 60% apresentavam sinais de má absorção deste açúcar.

Posteriormente, os participantes preencheram diários alimentares durante sete dias e responderam a questionários que avaliaram níveis de ansiedade e depressão. Foram ainda recolhidas amostras de fezes e sangue, permitindo analisar a microbiota intestinal e marcadores inflamatórios no organismo.

Em paralelo, os investigadores recorreram também a modelos animais, utilizando ratos normais e outros geneticamente modificados para simular má absorção de frutose. Tanto nos humanos como nos animais foram observados sinais associados a maior ansiedade, bem como alterações no equilíbrio das bactérias intestinais e presença de inflamação.

Nos participantes com má absorção de frutose, foram identificadas diferenças significativas na abundância de várias bactérias intestinais, incluindo Agathobacter, Bifidobacterium, Prevotella, Enterococcus e Zhenpiania. Estes indivíduos apresentaram ainda um ligeiro aumento dos níveis de ansiedade, embora sem atingir valores clínicos preocupantes.

O estudo revelou também que a composição da microbiota variava consoante as fontes de frutose na alimentação. Certas bactérias estavam associadas ao consumo de frutose proveniente de laticínios, bebidas e açúcares adicionados, enquanto outras estavam ligadas a fontes naturais como frutas e vegetais. Algumas destas alterações poderão estar relacionadas com processos inflamatórios que influenciam o comportamento.

De acordo com os investigadores, citados pela Refractor, os resultados sugerem que a má absorção de frutose está associada a alterações na microbiota intestinal, aumento de marcadores inflamatórios e maior ocorrência de comportamentos semelhantes à ansiedade. Estes dados reforçam a ideia de que a alimentação pode desempenhar um papel importante na saúde mental.

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