Casas de Coimbra

Cidade universitária = cidade cara! Estudantes, investidores e jovens famílias competem pela mesma casa

Notícias de Coimbra | 2 semanas atrás em 29-04-2026

Quartos a 500 euros em Lisboa, T1 esgotados em semanas e crédito jovem a aquecer a procura. O regresso às aulas voltou a expor a pressão no centro das cidades, e a transformar os pais em fiadores forçados.

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Já com o fim à vista de mais um ano lectivo, o cenário repete-se nas principais cidades universitárias do país: filas virtuais em plataformas de arrendamento, anúncios que duram horas e famílias a fechar contratos antes mesmo de saber a colocação definitiva dos filhos. Em 2025, um quarto em Lisboa custava em média 500 euros por mês, segundo o Observatório do Alojamento Estudantil. No Porto, ficava-se pelos 400 euros; em Faro, 380; em Aveiro, 330; e em Coimbra, 280. Desde 2021, os valores subiram, em média, 36%.

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O problema, dizem os agentes do sector, deixou de ser apenas estudantil. Nos mesmos quarteirões, três procuras distintas disputam o mesmo stock de imóveis: estudantes deslocados, investidores que compram para arrendar, a curto ou a longo prazo, e jovens famílias que tentam fixar-se perto do emprego. O resultado é uma pressão simultânea sobre tipologias T0, T1 e T2, historicamente a porta de entrada no mercado da habitação própria.

Portugal tem cerca de 175 mil estudantes deslocados, mas apenas 10% conseguem lugar numa residência universitária pública. Os restantes sujeitam-se ao mercado privado, onde fiador e dois meses de caução são regra. Com a renda anual a ultrapassar facilmente os seis mil euros por filho, multiplicam-se as famílias que ponderam comprar imóvel na cidade onde os filhos estudam, em vez de pagar arrendamento durante cinco anos.

A operação, em muitos casos, faz-se com os pais a entrarem como fiadores ou co-titulares do crédito habitação. Para alguns, é uma decisão de gestão familiar; para outros, é a única forma de o jovem aceder ao financiamento bancário sem histórico de rendimentos sólido.

Para muitas destas famílias, a equação deixa de ser apenas geográfica e passa a ser financeira. Comparar propostas de vários bancos em simultâneo spread, taxa fixa ou variável, custo dos seguros associados, impacto da garantia pública para jovens e taxa de esforço final, torna-se essencial quando os pais entram como co-titulares e a análise tem de cruzar dois rendimentos, duas idades e dois prazos. Comparadores como o ComparaJá têm registado uma procura crescente por simulações de T0 e T1 em cidades universitárias, sobretudo de famílias que ponderam comprar em vez de arrendar durante o ciclo completo de licenciatura e mestrado.

A medida que isenta jovens até aos 35 anos do IMT e do Imposto do Selo, e oferece garantia pública para a entrada do crédito habitação, tem aprovado milhares de operações desde a sua entrada em vigor. Os efeitos são duplos: por um lado, baixa a barreira de entrada para quem nunca conseguiria juntar 20% do valor do imóvel; por outro, injecta procura adicional num mercado com oferta escassa, sobretudo nos centros urbanos.

Economistas ouvidos pelo sector têm alertado para esta tensão: medidas pensadas para apoiar o acesso à habitação acabam, em mercados com oferta rígida, a ser parcialmente absorvidas pelo preço.

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