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Cheias: Teve de fechar o restaurante aberto há 2 meses e meio em Montemor-o-Velho, mas não deixou “ninguém sem comer”
Dois meses e meio depois da sua inauguração, o restaurante A Moagem do Sabor, em Montemor-o-Velho, viu-se forçado a fechar devido às cheias provocadas pelo transbordo do rio Mondego.
O estabelecimento funcionava como ponto de apoio logístico durante a emergência, com os botes dos fuzileiros atracados junto ao restaurante, facilitando o transporte de pessoas para áreas seguras.
A proprietária, Mónica Baptista, relatou os momentos de grande dificuldade: “Dia 14 de novembro de 2025 abrimos, e há 15 dias para cá tive que fechar. Tudo isto porque ficámos completamente inundados e o telhado voou com a tempestade. Foi um sufoco, com medo que entrasse água, porque investi aqui umas centenas largas de euros.”
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Apesar de ter mantido o restaurante fechado, a proprietária não deixou de ajudar a comunidade local: “Dei muitas refeições a quem precisava… Daqui ninguém ia sem comer”, afirmou, sublinhando a solidariedade que marcou os dias mais críticos.
O restaurante abriu originalmente com o objetivo de criar uma clientela e tornar-se um espaço da comunidade. Ao fim de dois meses e meio, quando se está a criar a clientela, é obrigado a fechar. “Foi angustiante, andei muitas noites sem dormir… mas correu bem e é isso que é importante”, contou a proprietária.
Mónica descreveu ainda a logística necessária para proteger o espaço: “Decorei o restaurante com o meu gosto, era o meu bebé, e depois tive que retirar tudo para nada se estragar. Só os módulos do self-service não consegui tirar, eram muito pesados.”
Apesar do trauma, mantém a esperança: “Estou com fé … e acredito que a partir daqui, será o último ano das cheias e que todos vão olhar para isto de forma responsável.”
O restaurante reabriu ontem, dia 19 de fevereiro, com Mónica confiante no futuro: “Já tive alguns clientes e hei de ter muitos mais, porque aqueles que vêm gostam e ficam… e é isso que me agrada”, concluiu.
A solidariedade demonstrada por fuzileiros, bombeiros, militares e entidades locais ficou marcada na memória da proprietária: “Nunca vi pessoal tão solidário e tão humano”, disse.
O regresso à normalidade em Montemor-o-Velho começa agora, com a esperança de dias mais calmos para todos os afetados pelas cheias.