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“Cheias do Mondego: mito, risco e paisagem cultural” em conversa no UC Exploratório

Notícias de Coimbra | 5 dias atrás em 01-06-2026

O UC Exploratório prossegue o ciclo Conversas não Programadas na quarta-feira, dia 3 de junho, das 18h00 às 19h00, numa sessão com A. Nuno Martins, arquiteto, professor na Universidade da Beira Interior e especialista no Projeto Territorial do Parque Patrimonial do Mondego, que apresentará o tema Cheias do Mondego: mito, risco e paisagem cultural. A entrada é livre e não necessita de inscrição prévia.

Para lá dos diferentes ciclos de conversas que o UC Exploratório assume periodicamente, quatro neste momento e com diferentes parceiros, temos também as Conversas não Programadas, que prosseguimos com o objetivo de ouvir diferentes personalidades em áreas relevantes para o conhecimento e a dinâmica social.

Esta quarta-feira, dia 3 de junho, das 18h00 às 19h00, o ciclo de conversas regressa com  A. Nuno Martins, arquiteto, professor na Universidade da Beira Interior e especialista no Projeto Territorial do Parque Patrimonial do Mondego, que apresentará a todo o público interessado o tema Cheias do Mondego: mito, risco e paisagem cultural.

O tema em debate propõe, de acordo com A. Nuno Martins, uma leitura crítica, territorial e cultural das cheias do Mondego, procurando contrariar algumas visões recorrentes no debate público, em particular a ideia de que novas barragens constituem, por si só, uma resposta suficiente ou sem custos relevantes.

Tomando o caso de Girabolhos como ponto de partida, a sessão procurará mostrar que as grandes infraestruturas hidráulicas têm impactos profundos na paisagem, no património e nas dinâmicas ecológicas e sociais do vale, devendo por isso ser avaliadas para além da promessa imediata de controlo hidrológico. Em paralelo, o Mondego será apresentado como uma paisagem cultural complexa e multifacetada, composta por diferentes realidades – Alto, Médio e Baixo Mondego – com culturas, práticas, camadas de biodiversidade, memórias e tradições próprias, cuja leitura articulada é essencial para compreender o rio e o seu território.

A partir dos acontecimentos de fevereiro último, a sessão procurará também desmontar alguns mitos associados às cheias – incluindo leituras apressadas sobre diques, evacuações, ruturas infraestruturais e o papel das obras hidráulicas – mostrando que, mesmo quando o impacto direto não se manifesta de forma uniforme em todo o Baixo Mondego, permanece uma forte potencialidade de desastre sempre que subsistem exposições ao risco cruzadas com vulnerabilidades acentuadas no leito de cheia e na planície de inundação.

Esta proposta apoia-se num percurso de investigação, projeto territorial e orientação académica que A. Nuno Martins vem desenvolvendo sobre o Mondego desde 2007. Nesse âmbito, trabalhou como urbanista e investigador no Parque Patrimonial do Mondego, projeto de investigação dedicado à paisagem cultural ribeirinha, às comunidades locais e aos recursos do território, do qual resultaram fóruns locais, rotas patrimoniais, festivais, recolhas etnográficas, exposições, publicações (livro, capítulos e artigos), participações em conferências, e palestras a convite em Portugal em uma dezena de países, incluindo a Rio+20 e a Expo Zaragoza 2008. Esse percurso inclui também a dissertação de mestrado em urbanismo sobre o Projeto Territorial do Parque Patrimonial do Mondego, bem como várias orientações de trabalhos finais do curso de Arquitetura e dissertações de mestrado relacionadas com o rio, a paisagem e o território.

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