Coimbra

Chefe de Equipa de Intervenção Rápida da PSP de Coimbra “atirado para um canto”

Notícias de Coimbra | 3 semanas atrás em 20-07-2026

Imagem: DR

O chefe da antiga 2.ª Equipa de Intervenção Rápida (EIR) da PSP de Coimbra, desmantelada em fevereiro de 2024, vai deixar o serviço operacional e passar a exercer funções administrativas na Esquadra de Trânsito, encerrando uma carreira de mais de 27 anos na linha da frente.

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O anúncio foi feito pelo próprio nas redes sociais, num longo desabafo onde revela a forma como recebeu a notícia e não esconde a mágoa pela decisão.

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“Na sexta-feira, pelas 23h55, ao fim de dois turnos seguidos de oito horas cada, por motivos mais que conhecidos, terminei uma carreira de mais de 27 anos operacional. O Sistema não perdoa!”, escreveu.

O polícia explica que a comunicação surgiu durante uma das ocorrências mais marcantes da sua carreira.

“Quando estava a fazer um dos trabalhos mais duros que a minha profissão pode ter, cumprir um mandado e retirar quatro filhos menores ao pai, quando estava a falar com o progenitor, recebo uma mensagem para ver a ordem de serviço”, relata.

Apesar do momento delicado, garante que decidiu terminar primeiro a missão.

“Cumpri a minha missão, tentando que fosse o menos dolorosa possível tanto para o pai, menores, como elementos policiais e fui finalmente ver o que se passava.”

Foi então que percebeu que tinha sido colocado na secção administrativa.

“Público e mando cumprir… passei a fazer parte da secção administrativa da Esquadra do Trânsito, assim, directo, ou seja… secretaria, sem qualquer palavra, que é para doer mais!!!”

Mesmo mostrando desilusão, assegura que continuará a desempenhar as novas funções com o mesmo profissionalismo.

“Uma nova missão, que irei desempenhar tão bem como sempre cumpri todas as missões que me foram atribuídas, pois tenho ao meu lado pessoas que me amam e me apoiam e me dão força.”

A publicação termina com uma frase que rapidamente começou a ser partilhada nas redes sociais.

“Menos um operacional nas ruas… como alguém me disse na despedida: ‘Chefe, mataram mais um POLÍCIA’.”

Recorde-se que a 2.ª Equipa de Intervenção Rápida da PSP de Coimbra foi dissolvida em fevereiro de 2024.

A decisão desencadeou forte contestação entre elementos da PSP e sindicatos, dando origem a protestos e a uma petição pública que reuniu mais de 10 mil assinaturas a pedir a reativação da equipa.

Mais recentemente, no passado dia 1 de julho, durante uma visita a Coimbra, o ministro da Administração Interna, Luís Neves, admitiu que a possibilidade de reativar a 2.ª EIR será analisada em conjunto com a Direção Nacional da PSP.

“Se chegarmos à conclusão que é necessário e que há meios para tal, será reativado. Se não, será repensado”, afirmou o governante.

Luís Neves reconheceu ainda que os recursos policiais continuam limitados.

“Os meios são escassos e não dão para tudo”, afirmou, defendendo que será necessário “criar opções”.

Contactado pelo Notícias de Coimbra, o SPPOL – Sindicato de Polícia pela Ordem e Liberdade considera que “a retirada de polícias do serviço operacional para funções administrativas compromete a capacidade de resposta da PSP e fragiliza a segurança pública, sobretudo quando envolve elementos com competências especializadas”.

O sindicato “defende o reforço urgente de efetivos, a valorização da carreira policial e a reorganização dos serviços administrativos, de forma a libertar mais polícias para o policiamento operacional”. 

Acrescentando que defende “a reativação da 2ª Equipa de Intervenção Rápida no Comando Distrital de Coimbra, com a maior urgência possível”.

O nosso jornal também solicitou um comentário ao Ministério da Administração Interna, à Direção Nacional da Polícia de Segurança Pública e ao Comando Distrital da PSP de Coimbra sobre esta situação e sobre o impacto da reafetação de operacionais para funções administrativas. Até ao momento não foi recebida qualquer resposta.

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