Coimbra
Cebola com vinho e sal? Mariana tem 26 anos, é ceboleira e trouxe a Coimbra um “novo” petisco
Aos 26 anos, Mariana é uma das caras mais jovens da 39.ª edição da Feira das Cebolas, que decorre na Praça do Comércio, em Coimbra. Natural de Penafiel, a jovem ceboleira participa pela primeira vez no certame, levando consigo uma tradição familiar que atravessa gerações.
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“As cebolas são uma herança familiar. Os meus avós já faziam isto”, contou Mariana ao Notícias de Coimbra, explicando que o negócio passou posteriormente para os pais e acabou por despertar o interesse dela e do irmão.
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“Despertou sempre o interesse entre mim e o meu irmão de permanecermos isto e aumentar a produção”, acrescentou.
Produtora da região de Penafiel, Mariana decidiu este ano aventurar-se fora da sua terra e marcar presença na tradicional Feira das Cebolas de Coimbra. “Este ano decidimos aventurar-nos e vir até Coimbra”, afirmou, sublinhando também a vontade de divulgar os produtos da família.
A cebola que Mariana trouxe até Coimbra distingue-se das variedades habitualmente encontradas na região. Trata-se da chamada cebola garrafal, disponível nas variedades roxa e branca.
“É uma cebola garrafal, típica garrafal, cebola roxa garrafal”, explicou.
Segundo a jovem produtora, a variedade destaca-se pelo sabor mais suave. “É uma cebola muito mais mansinha, muito mais suculenta”, descreveu.
E há uma forma particularmente tradicional de a provar. “É uma cebola que é muito boa para comer crua, partida, regada com um belo vinho e com um belo sal”, sugeriu Mariana, garantindo que se trata de “um aperitivo maravilhoso”.
Apesar das dificuldades que têm marcado a produção agrícola, Mariana considera que este foi um bom ano para a sua produção.
“Este ano a produção foi bastante boa, foi bastante produtiva, tirámos uma boa qualidade de cebola”, revelou, garantindo que “a cebola está espetacular”.
Na Feira das Cebolas, a variedade roxa tem sido a mais procurada. “Neste momento sai arroxo, é uma novidade”, explicou, acrescentando que é “muito melhor para as saladas” e que “as pessoas adoram”.
As tranças de cebola roxa são vendidas a 7,50 euros, pesando cerca de três a três quilos e meio e contendo aproximadamente 25 a 26 cebolas.
Uma das particularidades da banca de Mariana é também a preocupação em aproveitar a cebola que, pelo tamanho, poderia acabar por não ser comercializada.
“São os desperdícios da nossa cebola. A cebola pequenina”, explicou.
Em vez de ser desperdiçada, a cebola mais pequena é colocada em pequenas molhas e vendida a um preço mais acessível. “Fazemos uma molhinha pequenina, vendemos por um preço mais baixo”, explicou, indicando um valor de cerca de três euros.
“Uma pessoa que queira experimentar pode levar sempre um pequenino”, acrescentou, destacando que desta forma conseguem “combater o nosso desperdício”.
A estreia de Mariana na Feira das Cebolas está a correr de forma positiva. “O primeiro dia até decorreu muito bem. Foi uma belíssima abertura de feira”, afirmou.
A jovem ceboleira espera agora que o movimento se mantenha durante os restantes dias do certame e que esta primeira experiência possa repetir-se.
“Esperemos que continue assim para a gente conseguir vender e permanecer também esta tradição”, disse.
E, apesar de ser a primeira participação em Coimbra, Mariana já admite regressar no próximo ano: “Sim, eu acho que sim.”
A história de Mariana é, assim, também a história de uma tradição familiar que encontrou uma nova geração para continuar. Aos 26 anos, leva para a Feira das Cebolas não apenas o produto da sua terra, mas também o legado dos avós e a vontade de manter vivo um negócio familiar.
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