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Caixa negra e luzes de travagem de emergência. Atenção, condutores: Os carros vão mudar (e muito). Saiba o que vem aí

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 2 semanas atrás em 09-07-2026

Os novos automóveis ligeiros de passageiros e veículos comerciais ligeiros matriculados na União Europeia vão passar a ter de cumprir regras de segurança mais exigentes a partir de 7 de julho de 2026.

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A medida faz parte da nova fase do Regulamento Geral de Segurança da União Europeia (General Safety Regulation II – Regulamento (UE) 2019/2144) e obriga os fabricantes a equiparem os veículos novos com um conjunto mínimo de tecnologias de assistência à condução.

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A informação consta no site da Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP), que explica que estes sistemas têm como objetivo ajudar a reduzir acidentes associados a erros humanos.

“Estas tecnologias não transformam os automóveis em veículos autónomos nem substituem quem conduz. Mas podem fazer a diferença nos segundos que antecedem um acidente, ajudando a evitar colisões ou a reduzir a sua gravidade.”

As novas regras aplicam-se apenas aos veículos novos abrangidos pelas novas homologações e matrículas. Os automóveis que já circulam nas estradas não terão de ser alterados nem equipados posteriormente com estes sistemas.

Entre os equipamentos que passam a ser obrigatórios está a Travagem Autónoma de Emergência (AEB), um sistema capaz de identificar o risco de colisão com veículos, peões ou ciclistas.

Caso o condutor não reaja a tempo, o automóvel pode emitir alertas e ativar automaticamente a travagem, reduzindo a probabilidade de acidente ou a gravidade do impacto.

Também passa a ser obrigatório o Assistente Inteligente de Velocidade (ISA), uma tecnologia que utiliza câmaras e mapas digitais para identificar os limites de velocidade e alertar o condutor quando estes são ultrapassados.

A PRP esclarece, no entanto, que o sistema não impede automaticamente o veículo de circular acima do limite.

O objetivo é reduzir situações em que os limites legais de velocidade são ultrapassados involuntariamente.

A partir de 2026, os veículos novos terão também sistemas de aviso de distração e sonolência do condutor.

Estas tecnologias analisam padrões de condução e podem emitir alertas quando detetam sinais de perda de atenção ou fadiga. Alguns modelos recorrem ainda a câmaras interiores para avaliar a direção do olhar do condutor.

Segundo a PRP, estes sistemas não funcionam como ferramentas de vigilância permanente. “Não gravam continuamente o condutor para efeitos de vigilância, mas utilizam informação necessária ao funcionamento dos assistentes de segurança, de acordo com a regulamentação europeia”, pode ler-se.

Outro dos equipamentos obrigatórios será o sistema de manutenção na faixa de rodagem (LKA). Quando o automóvel começa a sair da faixa sem o uso do pisca, o sistema pode alertar o condutor e aplicar pequenas correções na direção.

As novas regras incluem ainda o Gravador de Dados de Evento (EDR), conhecido como a “caixa negra” dos automóveis.

Este dispositivo regista dados técnicos relacionados com o veículo antes, durante e depois de um acidente, podendo ajudar as autoridades a perceber melhor as circunstâncias das colisões.

A PRP destaca que o EDR: “Não funciona como um sistema de localização permanente nem grava continuamente a condução.”

O regulamento europeu introduz também alterações relacionadas com a proteção dos utilizadores mais vulneráveis da estrada.

Os novos veículos terão de cumprir requisitos de conceção destinados a reduzir a gravidade dos atropelamentos, incluindo melhorias na visibilidade frontal e alterações no desenho da parte dianteira dos automóveis.

Além dos sistemas de assistência à condução, os novos veículos terão ainda de incluir: luzes de travagem de emergência, que alertam os condutores que seguem atrás em travagens bruscas; interface preparada para instalação de alcoolímetro bloqueador; e sistema de monitorização da pressão dos pneus (TPMS).

A PRP lembra que uma pressão incorreta dos pneus pode aumentar a distância de travagem, reduzir a estabilidade do veículo, aumentar o consumo e acelerar o desgaste dos pneus.

Apesar da evolução dos sistemas de segurança, a Prevenção Rodoviária Portuguesa reforça que estas tecnologias não substituem o papel de quem está ao volante.

Os sistemas podem ajudar a evitar erros e intervir em situações de emergência, mas continuam a existir comportamentos que aumentam o risco de acidente, como conduzir sob efeito de álcool ou drogas, utilizar o telemóvel, exceder a velocidade, não usar o cinto de segurança ou conduzir fatigado.

Segundo a PRP, a aposta da União Europeia nestas medidas pretende aproximar-se do objetivo de Visão Zero, reduzindo o número de mortos e feridos graves nas estradas.

Com estas alterações, tecnologias que antes estavam disponíveis sobretudo em veículos de gama superior passam a estar presentes de forma obrigatória em todos os novos automóveis vendidos no espaço europeu.

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