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Andam aviões no céu a controlar o clima? “Plano secreto” gera polémica

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 4 semanas atrás em 21-04-2026

Imagem: DR

A possibilidade de a humanidade vir a intervir deliberadamente no clima para combater os efeitos das alterações climáticas está a ganhar atenção no debate científico e político.

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Esta área, conhecida como geoengenharia, engloba um conjunto de tecnologias que procuram reduzir o aquecimento global através da manipulação de processos naturais da Terra.

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Trata-se de um campo ainda em desenvolvimento e envolto em controvérsia. A própria Comissão Europeia já demonstrou preocupação com os potenciais riscos associados. Em declarações feitas em Bruxelas, o vice-presidente executivo da Comissão Europeia, Frans Timmermans, citado pela Euronews, alertou, em 2023, que a geoengenharia está a ser estudada em várias partes do mundo como possível resposta às alterações climáticas, mas sublinhou que se trata de uma questão com impacto global, defendendo que “ninguém deveria fazer experiências sozinho no nosso planeta partilhado”.

Entre as soluções em investigação está a injeção de aerossóis estratosféricos, que consiste na libertação de pequenas partículas na atmosfera através de aviões, com o objetivo de refletir parte da luz solar e, assim, reduzir a temperatura do planeta. Segundo a mesma fonte, para que esta técnica tivesse impacto significativo, seriam necessários centenas ou até milhares de aeronaves especializadas a operar durante vários anos.

Outra proposta em estudo é o chamado branqueamento de nuvens marinhas, que procura aumentar a capacidade de reflexão das nuvens baixas através da libertação de partículas de aerossol a partir de navios, com o objetivo de reduzir a quantidade de radiação solar que atinge a superfície terrestre.

Apesar do avanço destas tecnologias, uma parte significativa da comunidade científica manifesta fortes reservas. De acordo com a notícia, cerca de 450 investigadores assinaram uma carta aberta dirigida à Comissão Europeia, alertando para os riscos e incertezas associados à geoengenharia.

Entre os signatários está Frank Biermann, especialista em governação global da Universidade de Utrecht, que, em declarações à Euronews, defende que as incertezas destas tecnologias não podem ser totalmente eliminadas através da investigação, uma vez que os seus efeitos reais apenas seriam conhecidos quando aplicados à escala planetária.

O investigador sublinha ainda que não é possível testar completamente estes sistemas em laboratório ou em pequena escala e alerta para potenciais riscos geopolíticos, questionando o que poderia acontecer caso alguns países avançassem de forma unilateral com este tipo de intervenções no clima.

Segundo o mesmo órgão, os maiores desenvolvimentos nesta área têm vindo a ocorrer nos Estados Unidos, embora a China também seja considerada um ator relevante na investigação destas tecnologias.

As Nações Unidas já emitiram relatórios onde alertam para a necessidade de prudência na utilização da geoengenharia, incluindo tecnologias de gestão da radiação solar e de remoção de gases com efeito de estufa, reforçando que estas soluções devem ser avaliadas com extrema cautela devido ao seu potencial impacto global.

No entanto, este caminho levanta questões profundas sobre quem decide, de que forma e com que nível de transparência.

A geoengenharia inclui intervenções deliberadas no sistema climático com o objetivo de reduzir a temperatura global. Uma das técnicas mais discutidas consiste na libertação de partículas na estratosfera para refletir a radiação solar, imitando o efeito de grandes erupções vulcânicas. Outra abordagem passa por tornar as nuvens marinhas mais refletoras, aumentando a quantidade de luz devolvida ao espaço, como consta na Meteored.

Apesar de ainda parecerem soluções futuristas, estas tecnologias estão a ser estudadas de forma cada vez mais séria, sobretudo em países mais desenvolvidos. Ao mesmo tempo, muitas regiões do chamado Sul Global — frequentemente as mais afetadas pelas alterações climáticas — permanecem afastadas deste debate, tanto ao nível político como científico.

Esta desigualdade levanta preocupações importantes: decisões com impacto planetário podem acabar nas mãos de um grupo restrito de países ou instituições. Especialistas alertam que não se deve permitir que estas escolhas sejam feitas sem escrutínio público ou participação global, já que os riscos e consequências podem ser distribuídos de forma injusta.

Outro ponto central é que a geoengenharia não resolve a origem do problema. Mesmo que algumas técnicas consigam reduzir temporariamente a temperatura, não eliminam as causas do aquecimento global, como as emissões de gases com efeito de estufa, a destruição de ecossistemas ou a acidificação dos oceanos, pode ler-se no artigo da Meteored.

No mundo das redes sociais, escreve-se que certas linhas brancas visíveis no céu são resultado da dispersão de substâncias químicas perigosas, supostamente responsáveis por alterações climáticas e problemas de saúde. Esta ideia, associada à teoria dos “chemtrails”, continua a ganhar atenção, mas não tem base científica, informa o Poligrafo.

De acordo com a verificação, essas marcas no céu não passam de um fenómeno conhecido: são rastos de condensação deixados pelos aviões. Formam-se quando o vapor de água libertado pelos motores entra em contacto com o ar extremamente frio em altitude, criando pequenas partículas de gelo semelhantes a nuvens.

A narrativa de que estes rastos seriam compostos por químicos tóxicos lançados deliberadamente não é recente e já foi desmentida várias vezes por especialistas. Não existe qualquer evidência de que aviões estejam a pulverizar substâncias sobre a população ou que estas marcas tenham efeitos diretos na saúde humana, indica a mesma fonte.

noticia atualizada às 18:46 do dia 21 de abril

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