Uma tendência associada a práticas da medicina tradicional tem vindo a ganhar popularidade nas redes sociais, especialmente entre utilizadores mais jovens.
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Apesar de existirem poucas evidências científicas sólidas sobre benefícios diretos para a saúde física, alguns especialistas admitem que estas rotinas podem ter impacto positivo no bem-estar mental.
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A jovem Maryam Khan, de 21 anos, citada pela ZAP, explica que a sua curiosidade começou após ver vídeos nas redes sociais: “Apareceu no feed das minhas redes sociais e fiquei simplesmente a ver um vídeo após o outro… até que pensei, por que não tentar?”. A prática em causa não envolve tratamentos complexos, mas sim o simples hábito de beber água quente logo pela manhã.
Esta tendência tem raízes em sistemas de medicina tradicional como a medicina chinesa e o ayurveda, originário da Índia, que há séculos defendem benefícios associados ao consumo de água morna. Segundo a mesma fonte, a prática ganhou uma nova dimensão global após se tornar viral em plataformas como TikTok e Instagram, onde surgem vídeos de jovens a adotar rotinas matinais com água morna, pequenos-almoços quentes e exercícios leves.
Na medicina tradicional chinesa, a explicação assenta no conceito de “Qi”, uma energia que, segundo esta visão, circula pelo corpo e influencia a saúde. Acredita-se que desequilíbrios ou bloqueios neste fluxo energético podem originar doença, sendo que o consumo de água morna ajudaria a manter esse equilíbrio. Alguns defensores comparam o corpo a uma casa, onde a temperatura e os hábitos diários influenciam o bem-estar geral.
A tendência levou algumas pessoas, como Maryam Khan, a incorporar outras práticas associadas, como exercícios de Tai Chi e a substituição do café por água morna com limão ou hortelã. A jovem refere, segundo a ZAP, que sentiu melhorias no seu bem-estar, nomeadamente menos náuseas associadas à cafeína e uma sensação de maior leveza ao início do dia.
O crescente interesse por estas práticas é também interpretado como um fenómeno social mais amplo. A mesma fonte cita especialistas da Organização Mundial da Saúde que referem a expansão global da medicina integrativa, com elevada adesão em vários países. Em algumas regiões, a utilização de terapias tradicionais e complementares é mesmo predominante, sendo vista por muitos como alternativa ou complemento à medicina convencional.
No entanto, a confiança na medicina moderna tem vindo a ser alvo de variações, com alguns estudos a indicarem uma quebra na confiança em profissionais de saúde em determinados contextos, sobretudo após a pandemia. Outros fatores apontados incluem o custo dos cuidados médicos e a dificuldade de acesso, o que leva algumas pessoas a procurar soluções mais económicas ou naturais.
Apesar do entusiasmo nas redes sociais, especialistas citados pela ZAP sublinham que as evidências científicas sobre a água quente são limitadas. Algumas investigações sugerem possíveis efeitos ligeiros na digestão ou no alívio de desconfortos gastrointestinais, mas não há provas de benefícios significativos para o metabolismo ou para a perda de peso.
Os mesmos especialistas alertam ainda que não existem indícios de que a água fria seja prejudicial à saúde, nem de que a água quente tenha propriedades “detox” ou de queima de gordura, ideias frequentemente divulgadas online. O principal benefício parece estar mais relacionado com a criação de rotinas e momentos de pausa pessoal do que com efeitos fisiológicos diretos.
Para alguns médicos, estas práticas podem funcionar sobretudo como um incentivo ao autocuidado e à desaceleração do ritmo diário. Há evidências de que atividades como Tai Chi ou Qigong podem contribuir para a redução do stress e melhoria da mobilidade, embora os efeitos variem de pessoa para pessoa.
No geral, a prática de beber água quente é vista por especialistas como segura, desde que em temperaturas adequadas, mas sem propriedades milagrosas comprovadas. Ainda assim, para muitos utilizadores, o valor está mais na sensação de rotina, conforto e equilíbrio mental do que em benefícios clínicos concretos.
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