Educação

Instituto Miguel Torga “vai sair” de Coimbra e “fazer-se à estrada” para levar conhecimento aos 19 municípios da região

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 3 semanas atrás em 28-04-2026

O Instituto Miguel Torga (ISMT) e a Escola de Coimbra preparam-se para “sair” das suas instalações e levar o conhecimento diretamente ao território.

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A iniciativa foi anunciada pelo presidente da instituição, Manuel Castelo Branco, que revelou a realização de três roadshows temáticos que vão percorrer os 19 municípios da Região Metropolitana de Coimbra.

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Logo na abertura, sublinhou a importância estratégica do momento para a instituição, considerando tratar-se do lançamento de “um projeto completamente novo, concreto e inovador”. O objetivo passa por inverter a lógica tradicional da formação académica: “Não é o território vir ao centro, não é o território vir a Coimbra; é a Escola de Coimbra ir ao território.”

Os roadshows contarão com a participação do jornalista Sérgio Soares, do inspetor do Ministério Público Filipe Preces e da advogada Daniela Sequeira. A iniciativa arranca com três áreas prioritárias consideradas atuais e de grande utilidade pública: literacia mediática, combate à corrupção e contratação pública.

Manuel Castelo Branco sublinha que esta dinâmica não surge do nada e que faz parte da identidade histórica da instituição. “Nós somos uma escola que é propriedade dos 19 municípios da Região Metropolitana de Coimbra e sentimos o dever de ir para os municípios, sair do centro, sair da Cruz de Celas e ir para os vários territórios.”

Ao longo do último ano e meio, o ISMT já levou cursos breves a diferentes concelhos, sobretudo nas áreas da contratação pública e da humanização dos cuidados. Agora, a aposta será mais estruturada e contínua. “Não há nenhuma instituição de ensino superior em Portugal que tenha esta vocação e […] agora vamos fazê-lo de modo ainda mais sistemático.”

As sessões terão formato breve — cerca de três horas — privilegiando o debate e a proximidade com autarquias, empresas, IPSS, escolas e jovens.

Apesar de ser uma instituição privada, o presidente do ISMT destaca a natureza pública da sua missão: “O ser uma entidade privada é apenas porque não somos financiados pelo Orçamento do Estado. A nossa propriedade é pública e nós nunca esquecemos que os nossos donos são os municípios e toda a comunidade da Região Metropolitana de Coimbra”, esclareceu.

O responsável acrescenta que a iniciativa pretende devolver às comunidades o conhecimento produzido pela escola, honrando também o legado do fundador — Miguel Torga.

Além dos três roadshows iniciais, o instituto pretende expandir futuramente as temáticas abordadas, incluindo envelhecimento, violência doméstica, empreendedorismo jovem, serviço social, comunicação e psicologia, temas atuais na nossa sociedade.

As primeiras sessões começam ainda em maio e deverão decorrer de forma contínua até 2027. “Vamos estar permanentemente no terreno. Estes três roadshows são o início.”

Algumas datas já podem ser divulgadas, outras ainda estão a ser articuladas com os diversos municípios. Para saber as restantes esteja atento às redes sociais do ISMT que serão divulgadas progressivamente.

Quanto às sessões de Filipe Preces, as datas são as seguintes: arranca no dia 20 de maio, em Cantanhede, entre as 14:00 e as 17:00; Arganil, a 27 de maio, no mesmo horário. Em Coimbra, a sessão realiza-se a 17 de junho, entre as 9:30 e as 12:30, passando posteriormente por Condeixa-a-Nova, a 23 de junho, e pela Figueira da Foz, a 8 de julho, ambas das 14:00 às 17:00.

Após a pausa de verão, o road show retoma em Góis, a 9 de setembro, seguindo para a Lousã, a 23 de setembro, e para a Mealhada, a 7 de outubro. Ainda em outubro, a iniciativa decorre em Mira, no dia 21. O calendário prossegue em novembro com sessões em Miranda do Corvo, a 4 de novembro, e em Montemor-o-Velho, a 18 de novembro. Em dezembro, o encontro realiza-se em Mortágua, a 16 de dezembro. Já em 2027, o programa continua em Oliveira do Hospital, a 13 de janeiro, e na Pampilhosa da Serra, a 27 de janeiro. Seguem-se Penacova, a 10 de fevereiro, Penela, a 24 de fevereiro, Vila Nova de Poiares, a 7 de março, Soure, a 10 de março, e Tábua, a 17 de março, sempre entre as 14:00 e as 17:00.

Daniela Sequeira, advogada, dinamiza sessões na Lousã, no dia 7 de maio, bem como e uma ação em Miranda do Corvo a 18 de maio.

No âmbito da literacia mediática, o jornalista Sérgio Soares promove o curso “Comunicação no Poder Local”, em Arganil, no dia 21 de maio. Está ainda previsto, a partir de setembro, a realização do programa “Literacia Mediática”.

O inspetor do Ministério Público, Filipe Preces, acrescentou que a formação pretende “robustecer a cultura de probidade e de integridade” nos municípios, defendendo que a prevenção passa sobretudo pelo conhecimento. “Fala-se muito de prevenção na área da corrupção. Nada mais adequado do que incrementar conhecimento”, disse.

Daniela Sequeira, advogada, será responsável pelas sessões dedicadas aos aspetos críticos da contratação pública, área que classificou como central na atualidade administrativa. “A contratação pública é um tema que está na ordem do dia e interessa a quem nela trabalha principalmente”, afirmou. “O objetivo é criar espaços de erro e de discussão”, referiu, sublinhando que o tema ganha especial relevância perante as alterações legislativas previstas a curto prazo.

Sérgio Soares, jornalista da agência Lusa, destacou a importância da literacia mediática como resposta aos desafios contemporâneos da desinformação. O projeto incidirá particularmente sobre alunos do terceiro ciclo e ensino secundário, envolvendo também professores. “No momento em que a democracia sofre constantes ataques e a desinformação ganha contornos cada vez mais perigosos, é importante capacitar os jovens estudantes”, afirmou. O responsável acredita que o impacto será visível a médio prazo, permitindo formar cidadãos mais críticos e conscientes no consumo de informação.

Durante a apresentação, Sara Borges, coordenadora da Escola de Coimbra, destacou o trabalho de organização das ações formativas e a aposta nos cursos breves adaptados às necessidades locais.

Com esta iniciativa, o Instituto Miguel Torga assume uma visão de ensino superior mais próxima das populações, apostando numa universidade em movimento — literalmente — que vai trocar a sala de aula tradicional e divulgar o conhecimento através de uma “viagem pelo território”.

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