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8% do ADN não é humano

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 1 semana atrás em 05-05-2026

O genoma humano pode ser visto como uma enorme base de informação biológica. Cada célula contém cerca de 6 mil milhões de “letras” organizadas no ADN, que funcionam como um conjunto de instruções essenciais para o funcionamento do organismo.

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Este código genético não só permite compreender processos fundamentais da vida, como também ajuda a revelar aspetos da história da humanidade. Por exemplo, análises de ADN permitiram identificar detalhes sobre rituais da civilização maia, sugerindo que certos sacrifícios envolviam sobretudo homens. Além disso, estudos publicados na revista Nature indicam que cerca de 8% do genoma humano é constituído por retrovírus endógenos humanos (HERVs), pode ler-se na Sciencing.

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Os retrovírus distinguem-se por utilizarem RNA como material genético, em vez de ADN. Quando infetam uma célula, conseguem converter esse RNA em ADN, que depois se integra no genoma do hospedeiro. A partir desse momento, passam a ser replicados juntamente com o material genético da célula. Em alguns casos antigos, estes vírus infetaram células germinativas — como óvulos e espermatozoides — o que permitiu que o seu material genético fosse transmitido de geração em geração, ficando incorporado no genoma humano ao longo da evolução.

Os HERVs são, por isso, vestígios de infeções virais muito antigas, ocorridas há cerca de 100 milhões de anos, durante a evolução dos primatas. De acordo com investigação publicada na revista Retrovirology, terão sido identificados cerca de 30 grupos diferentes de HERVs no genoma humano atual.

Apesar de serem restos de antigas infeções, os HERVs podem ter efeitos tanto positivos como negativos. Por um lado, estudos publicados em revistas como Nature e Nature Genetics sugerem que podem ter um papel importante no desenvolvimento embrionário e no funcionamento da placenta durante a gravidez. Outras investigações, como as divulgadas em PLOS Biology e Science, indicam ainda que alguns destes elementos poderão ter contribuído para o desenvolvimento do sistema imunitário humano, ajudando a combater vírus mais recentes.

Por outro lado, a sua ativação descontrolada pode representar riscos para a saúde. Estudos publicados em revistas como a Computational and Structural Biotechnology Journal e a Frontiers in Immunology associam a expressão anormal dos HERVs ao desenvolvimento de doenças autoimunes, como o lúpus e a esclerose múltipla. Outras investigações, incluindo trabalhos em Biomolecules e Retrovirology, relacionam ainda estes elementos com doenças neurodegenerativas e vários tipos de cancro, como leucemia, linfoma e melanoma.

Atualmente, a investigação científica continua a explorar o potencial dos HERVs, tanto como possíveis biomarcadores para deteção de doenças como alvos terapêuticos. Estudos publicados no Journal of Virology e na MedComm sugerem que compreender como silenciar estes elementos pode abrir caminho a novas abordagens no tratamento de várias patologias.

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