Economia

15 mil euros para associação de Coimbra criada há três meses. Oposição diz proposta “é insuficientemente fundamentada”

Notícias de Coimbra | 2 meses atrás em 20-07-2026

A oposição criticou hoje a atribuição pela Câmara de Coimbra de um apoio de 15 mil euros para um projeto da associação Maré Dialética, com cerca de três meses de vida e dirigida por apoiante da coligação encabeçada pelo PS que lidera o executivo.

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O apoio ao projeto da associação, aprovado com os votos contra dos vereadores da coligação Juntos Somos Coimbra (PSD/CDS-PP/IL/Nós, Cidadãos!/MPT/PPM/Volt), propõe-se a fazer várias atividades ao longo de 12 meses, junto de famílias, “comunidades vulneráveis”, migrantes e idosos.

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A vereadora do Juntos Somos Coimbra Ana Cortez Vaz afirmou que reconhece “o mérito dos objetivos do projeto”, mas a proposta “é insuficientemente fundamentada para justificar a atribuição do apoio financeiro previsto”.

“Estamos perante uma associação constituída apenas em abril de 2026 e um projeto apresentado sobretudo em termos conceptuais, sem um plano operacional detalhado, sem metas quantificadas, sem indicadores de avaliação e sem identificação do universo de beneficiários”, criticou.

O PSD de Coimbra já tinha emitido hoje um comunicado, criticando aquele mesmo apoio e afirmou que a responsável da associação, Élia Ramalho, “apoiou publicamente a candidatura de Ana Abrunhosa e cedeu esse mesmo espaço para iniciativas da campanha eleitoral da atual Presidente”.

“Os factos falam por si: dinheiro público, processo mal fundamentado, e uma beneficiária com ligação direta à campanha de quem agora aprova o apoio”, afirmaram os sociais-democratas.

A responsável pela associação e pelo espaço, Élia Ramalho, integrou a comissão de honra da coligação Avançar Coimbra (PS/Livre/PAN), com A Fábrica a ter sido palco para vários momentos da campanha, nomeadamente conversas temáticas.

Também o vereador da Iniciativa Liberal, Celso Monteiro, considerou que a proposta “é extremamente genérica”, pedindo que fossem dadas mais informações e dados, com objetivos concretos da iniciativa, para que pudesse ser analisada e votada – sugestão que foi recusada, procedendo-se à votação.

Para o vice-presidente da Câmara de Coimbra, Miguel Antunes, que tem a pasta da educação, é pertinente poder usar A Fábrica, situada na Baixa, já “para atividades de verão”, vincando que o município irá monitorizar as atividades e fazer um relatório do projeto.

Sobre o facto de a associação ter apenas três meses, entendeu que tal não pode ser “fator de exclusão”.

De acordo com o processo consultado pela agência Lusa, o projeto prevê oficinas de formação, jogos, yoga, teatro, residências artísticas, e outras atividades, pensadas para diversos públicos.

No entanto, o projeto não estabelece metas de participantes, nem identifica quais os formadores ou artistas que irão participar ou mediar as diferentes atividades.

A iniciativa “assume-se como um projeto de intervenção social e cultural de base comunitária, desenvolvido a partir do território da Baixa de Coimbra e orientado para a promoção da inclusão social, da participação cidadã e do fortalecimento dos laços comunitários através da arte e da cultura”, lê-se no processo da iniciativa, que usa o brincar como “eixo metodológico agregador das diferentes ações”.

No orçamento associado ao projeto, 4.000 euros são destinados para pagar o aluguer d’A Fábrica e outros 4.000 euros para custos com mentoria, autoria, coordenação estratégica, criação do projeto, monitorização e relatórios de avaliação, numa iniciativa que contabiliza um total de custo de 19.640 euros.

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